Mana e Substâncias Xamânicas: As Reconfigurações de Poder entre os Siona da Colômbia

Esther Jean Langdon

Resumo


Inspirada pela discussão recente de Crépeau e Laugrand sobre mana, examino, entre os indígenas siona, a noção de rau como o conceito central para entender poder xamânico e práticas rituais. Assim, em vez de tratar rau como uma categoria estável do pensamento e de práticas indígenas, exploro esta noção como um conceito fluido e polissêmico que tem sofrido transformações no decorrer de contextos históricos e sociais. Como as discussões recentes sobre mana demonstram, rau é melhor entendido como um fenômeno social cujos usos e significados têm se transfigurado através do tempo e espaço. Rau foi primeiramente notado e traduzido por missionários no século XVII. Minha análise baseia-se em traduções do termo rau encontradas em documentos de missionários franciscanos e capuchinhos, nas traduções dos Siona oferecidas a mim na década de 1970, em diálogo sobre suas narrativas xamânicas, como também em traduções mais recentes oferecidas pelos taitas siona, num contexto de revitalização xamânica iniciado na década de 1990.

Palavras-chave


xamanismo; poder; Siona; mana; tradução

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cra.v19i1.64069

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