Mãe Direita: o uso da maternidade no discurso antifeminista da extrema direita brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/am.v31i1.101428

Resumo

O artigo examina o uso político da maternidade no discurso antifeminista de parlamentares da extrema direita brasileira no Instagram, a partir de Ana Campagnolo e Priscila Costa. Embora adotem estratégias distintas — formativa e performática —, ambas reforçam uma maternidade patriarcal e ocultam desigualdades estruturais. Argumenta-se que a plataforma favorece a apropriação conservadora de linguagens feministas, tensionando a retórica de empoderamento e a reprodução de hierarquias de gênero.

Biografia do Autor

Alana Fontenelle, Universidade Federal do Ceará

Doutora em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). Pesquisadora em estágio Pós-doutoral financiada pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP-CE), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal do Ceará. Email: fontenelle.alana@gmail.com.

Camila Galetti, Instituto Federal de Brasília

Doutora em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB). Pós-doutoranda no Programa de Pós- Graduação em Sociologia da Universidade de Brasília. Professora substituta no Instituto Federal de Brasília (IFB). Email: cchgaletti@gmail.com.

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Fontenelle, A., & Galetti, C. (2026). Mãe Direita: o uso da maternidade no discurso antifeminista da extrema direita brasileira. Ação Midiática – Estudos Em Comunicação, Sociedade E Cultura, 31(1). https://doi.org/10.5380/am.v31i1.101428

Edição

Seção

Dossiê “Desinformação e os Desafios Contemporâneos da Comunicação”