ESTUDO RETROSPECTIVO DA PREVALÊNCIA DE CARDIOPATIAS EM GATOS ATENDIDOS ENTRE 2015-2019 PELO LABORATÓRIO DE CARDIOLOGIA COMPARADA DO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UFPR

Letícia Orthey Cidral, Danielle Shiguihara, Tainah Godzinski Pereira, Fabiana Rodrigues de Freitas, Caroline Pereira Ribeiro, Bruna Natali da Costa, Simone Tostes de Oliveira Stedile, Marlos Gonçalves Sousa

Resumo


Diferentes doenças cardíacas, congênitas ou adquiridas, são comumente reconhecidas na medicina felina e compõem parte da casuística no atendimento desses animais. A ecocardiografia, por sua vez, é o exame de imagem mais utilizado para o diagnóstico destas afecções. Em gatos a cardiopatia mais comum é a cardiomiopatia fenótipo hipertrófico. Como dados sobre a prevalência de cardiopatias em gatos no Brasil é escassa, o objetivo do presente estudo foi identificar a prevalência das principais cardiopatias em gatos, diagnosticadas por meio da ecocardiografia, entre o período de 2015 a 2019 no Hospital Veterinário da UFPR (HV-UFPR). Foram encaminhados, neste período, ao Laboratório de Cardiologia Comparada do referido hospital, 224 gatos para exame ecocardiográfico. Destes, 32 foram excluídos por apresentarem diagnóstico incompleto ou inconclusivo. Assim, ao todo, 192 animais foram elegíveis para o estudo, sendo 140 sem alterações ecocardiográficas e 52 com uma ou mais cardiopatia. Foram acometidos mais machos do que fêmeas, sendo 29/52 (56%) e 23/52 (44%) respectivamente. Os gatos sem raça definida (SRD) foram os mais acometidos, correspondendo a 35/52 (67%) animais, seguidos pelas raças Persa com 13/52 (25%), Siamês com 3/52 (6%) e Himalaio com 1/52 (2%). A idade média dos gatos cardiopatas foi de 7,6 anos, sendo que 12/52 (23%) animais eram jovens (até um ano), 20/52 (38%) eram adultos (entre dois a dez anos) e 16/52 (31%) eram idosos (mais de 11 anos). Ainda, não havia dados sobre a idade de 4/52 animais (8%). Dentre os cardiopatas, 6/52 (12%) apresentaram duas cardiopatias congênitas associadas, sendo as mais prevalentes a comunicação interventricular e a comunicação interatrial. As afecções observadas foram cardiomiopatia fenótipo hipertrófico com 24/52 (46%) animais, comunicação interventricular com 6/52 (12%), displasia da valva tricúspide com 5/52 (10%), cardiomiopatia fenótipo não específico com 4/52 (8%), comunicação interatrial com 3/52 (6%), displasia da valva mitral com 3/52 (6%), neoplasia com 3/52 (6%), hérnia peritônio-pericárdica com 2/52 (4%), cardiomiopatia fenótipo restritivo com 2/52 (4%) e cardiomiopatia fenótipo dilatado, cor pulmonale, doença mixomatosa valvar mitral, estenose aórtica, estenose subaórtica, estenose pulmonar e vegetação aórtica com 1/52 (2%) animal cada. A alta prevalência da cardiomiopatia fenótipo hipertrófico observada neste estudo corrobora com dados encontrados na literatura (PAYNE; BRODBELT; FUENTES, 2015). Em um estudo de prevalência das doenças congênitas, no qual 57.025 gatos foram analisados, a doença mais prevalente foi a comunicação interventricular; em contrapartida, a displasia de valva tricúspide não mostrou ser representativa nesta espécie, afetando somente 4/57.025 animais (0,007%) (SCHROPE, 2015). Comparativamente, no presente estudo, a displasia da valva tricúspide foi uma doença importante na prevalência geral de cardiopatias em gatos atendidos no HV-UFPR, correspondendo a 5/192 (2,6%) dos gatos encaminhados ao Laboratório de Cardiologia Comparada. Estudos de prevalência fornecem informações complementares sobre doenças que são comuns em determinadas espécies e regiões, auxiliando, dessa forma, a conduta clínica de cada paciente.


Palavras-chave


cardiomiopatia fenótipo hipertrófica; casuística; displasia da valva tricúspide; ecocardiografia; medicina felina

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.77124

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