RELAÇÃO DA FREQUÊNCIA DE PROXIMIDADE E COMPORTAMENTO DE NOVILHAS LEITEIRAS CRIADAS A PASTO

Karolini Tenffen de Sousa, Matheus Deniz, Laura Arias Avilés, Camila de Almeida Franceschi, Aline Aparecida Cerino, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho

Resumo


A distribuição espacial dos bovinos na pastagem não ocorre de forma aleatória, sendo que a proximidade com outros animais pode refletir os laços sociais formados dentro de um rebanho. Alguns animais permanecem mais próximos de indivíduos específicos em relação ao restante rebanho, demostrando certa preferência. A frequência de proximidade entre bovinos é dita como interação positiva, pois está presente em organizações sociais complexas e auxilia na manutenção da relação estável entre os animais envolvidos.  O objetivo deste estudo observacional foi descrever a frequência de proximidade entre novilhas leiteiras durante seus comportamentos diurnos. O experimento foi realizado entre os meses de outubro e dezembro de 2017, no Biotério de Bovinos da Fazenda Didático-Experimental da Ressacada (FER), pertencente a Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil. Foram observadas 19 novilhas mochas (secas e não-prenhas) mestiças (Jersey x Holandês), com aproximadamente 48 meses de idade e peso médio de 355 ± 40kg. Na FER os animais são manejados sob Pastoreio Racional Voisin, adentrando a um novo piquete (2.500m2) a cada 24h. As observações ocorreram durante 20 dias, alternando os períodos matutino (8:00–12:00) e vespertino (14:00–18:00). Os comportamentos pastando, ócio em pé, ócio deitado, ruminando em pé, ruminando deitado, outros e a proximidade foram avaliados através de instantâneos a cada 10min. Dois animais foram considerados próximos quando estavam a uma distância correspondente ao comprimento do corpo de uma vaca adulta (aproximadamente 2m) da paleta do animal focal. Independente do período (matutino e vespertino), o comportamento pastando apresentou a maior frequência (62,42%) em relação aos demais. Durante o período matutino os animais realizaram preferencialmente os comportamentos de ócio (em pé: 16,6%; deitado: 14,5%) e ruminação (em pé: 4,9%; deitado: 13,3%). As novilhas realizaram a maior frequência dos comportamentos avaliados sozinhas (69%), próximos a um indivíduo (24%) e de dois indivíduos (6,4%). Quando próxima a outra novilha (uma ou duas), o animal focal foi observado com maior frequência pastando (47,8%), seguido de ócio (28,1%), ruminando (19,4%) e realizando outros comportamentos (4,6%). O comportamento de ócio em pé do animal focal foi ocorreu com maior frequência quando próximo de outra novilha (em pé: 19,3%, deitado: 8,8%). Enquanto que para o comportamento de ruminação ocorreu o inverso, as novilhas ruminaram com maior frequência próxima de outra quando estavam deitadas (em pé: 5,7%, deitado: 13,7%). Concluímos, que a atividade de pastoreio foi realizada preferencialmente em companhia de outra novilha, sendo esta uma provável função de coesão social do grupo durante o pastoreio.

Palavras-chave


bem-estar; comportamento social; etologia aplicada; interações positivas.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.77047

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