EM VACAS LEITEIRAS A IDADE É MAIS IMPORTANTE QUE O CHIFRE PARA DETERMINAR O ACESSO A SUPLEMENTAÇÃO NO COCHO

Matheus Deniz, Karolini Tenffen de Sousa, Deise Taborda Martins, Vitória Alves Branco Riezemberg, Barbara Haline Buss Baiak, Marcos Martinez do Vale, João Ricardo Dittrich

Resumo


A descorna é uma prática comum na bovinocultura de leite, na qual geralmente não são utilizadas técnicas, como anestesia e analgesia para aliviar a dor dos animais. No Brasil, a descorna é proibida na produção animal orgânica. Porém, existe preocupação com a presença de animais com chifres no rebanho, pois pode aumentar o risco de lesões durante a alimentação, devido as disputas por acesso ao alimento. No entanto, se adaptarmos as instalações e melhorar as condições de manejo, pode não ser necessário sujeitar os animais a esse procedimento doloroso. Assim, o objetivo deste estudo foi avaliar a influência da idade e a presença de chifre no acesso a suplementação no cocho. O estudo foi realizado na Estação de Pesquisa Agroecológica – CPRA, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná, em Pinhais, Brasil. Participaram deste estudo 27 vacas (7 com chifre e 20 mochas) mestiças (Jersolando) em lactação, com idade média de 54 ± 24 (média ± DP) meses e peso médio de 410 kg ± 41. As observações foram realizadas na área de alimentação por 13 dias não consecutivos em julho de 2019, com duração de uma hora (8h – 9h). Silagem de milho foi fornecida em um cocho de concreto (27 m) com um espaço linear de 1m/ animal e água foi fornecida ad libitum. O tempo no cocho foi registrado por scan-sampling a cada um minuto e as interações agonísticas foram registradas sempre que ocorreram. Para análise dos dados, dividimos os animais em três categorias de acordo com a idade: jovens: 2-3 anos (n=8), intermediário: 4-5 anos (n=12) e mais velhos: 6-10 anos (n=7). Para eliminar a discrepância numérica entre as categorias de idade, a frequência no cocho (%) foi balanceada de acordo com o número de animais em cada categoria. Análises de influencia foram realizadas por Modelos Lineares Generalizados e uma correlação de Spearman foi usada para examinar a relação entre as categorias e a frequência no cocho. Todas as análises foram realizadas com 95% de confiança pelo software R. Não houve diferença (p>0,05) entre o peso das três categorias; animais jovens apresentaram peso médio de 406,7 ± 45,4 kg, os intermediários pesaram 409 ± 42,1 kg e os mais velhos 404 ± 49,3 kg. Houve correlação (p<0,05) do tempo no cocho com a idade (r = 0,37) e presença de chifre (r = -0,57). Todos os animais com chifre se concentraram na categoria dos mais jovens e tiveram menor frequência no cocho (p<0,05). Os animais mais jovens foram as principais vítimas (70%) das interações agonísticas, seguido dos intermediários (44%) e os mais velhos (33%). Não houve diferença (p>0,05) na frequência no cocho entre os animais intermediários (80%) e os mais velhos (77%), porém os animais mais velhos foram os principais instigadores (67%), direcionando principalmente energia para deslocar os animais mais jovens para fora do cocho. A idade foi mais importante que a presença de chifre para determinar o acesso das vacas leiteiras ao suplemento no cocho.


Palavras-chave


bem-estar; cornos; etologia aplicada; hierarquia-social

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76731

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