BEM-ESTAR ANIMAL: um conceito econômico-burocrático, critério de conduta ética ou respeito a senciência dos seres?

Laís Cristine Werner, Pedro Vicente Michelotto Junior

Resumo


Nos últimos anos muito se tem discutido sobre o óbice relacionado ao bem-estar animal (BEA) e fatores de interesse estritamente humanos, e aqui cabe a elucubração: nesse impasse sobre interesses, a quem seria mais justo a condição de interessado? E a quem careceria da condição sujeita a determinado interesse? Como no processo de submissão de pesquisas dentro do meio científico há de se declarar a ausência de conflitos de interesse, não seria justo aqueles que protagonizam esses estudos também pudessem ter o amparo da declaração? Dentro da temática que mais abarca as razões conflitantes no conceito de bem-estar está a produtividade e suas implicações estendidas principalmente a economia pecuária. A avaliação do modo como se conduz o intento produtivo deve se fazer díade ao estado que os animais se encontram em relação às suas tentativas de se adaptar ao seu ambiente de forma verdadeira. A postulação de medidas sanitárias, quando se avalia a condução comercial de alguns países da comunidade internacional, que não incluem o BEA como referência válida nas negociações e o impacto que a ausência desta preocupação pode imprimir na comercialização dentro de alguns mercados pecuários é expressivo, visto que o mercado vem reduzindo a aceitação de produtos de origem animal às custas de sofrimento, representando a inelasticidade da demanda por produção conceituada no BEA. Questões ético-morais denotam reflexão por parte dos consumidores, mas o principal escopo ainda reside dentro da porteira. É imprescindível tratar os princípios norteadores do manejo animal imbuídos de verdadeira consciência ambiental. Darwin (1890) redigiu que nas faculdades mentais não existem diferenças fundamentais entre o homem e os animais, tanto um quanto outro exibem sensações como dor, felicidade e sofrimento. Sendo um mecanismo orgânico importante, a dor se apresenta como condição substancial para sobrevivência, porém a inércia no intento do auxílio e da possibilidade de cessação do agente causador já torna imoral a essência dos princípios norteadores da ideal condição humana. Como seres sencientes que são e por terem sido depositados sob a tutela da humanidade é urgente a necessidade de triunfar sobre a inércia proativa. Quanto maior grau de dificuldade apresentado pelo animal ao tentar interagir e “pertencer” a determinado ambiente, mais comprometido assenta-se o BEA. Adaptar-se ao meio não significa bem-estar. Estudos já viabilizam a avaliação observacional dessa relação através de escalas que estimam sinais, movimentos e outras circunstâncias que o indivíduo expressa incluso na situação que vive, o que muito contribui no auxílio da tomada de decisões. Situações conflitantes que implicam valores e princípios éticos requerem apoderação de escolhas. O sofrimento de caráter iatrogênico vai muito além da percepção (bio)ética. A interessante alegoria descrita por Broom (2011) deveria constantemente figurar na mente humana: um coelho é visto de forma diferente conforme é considerado: ora animal de estimação da família, ora animal de laboratório, ora animal criado no aspecto producente de carne, ora um animal selvagem que se nutre de suas colheitas. Nisso não há solidez científica. Um coelho é só um coelho.


Palavras-chave


animais; BEA; comercialização; dor

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76375

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