DIAGNÓSTICO ULTRASSONOGRÁFICO DE MASSA E CISTOS OVARIANOS EM CALOPSITA (Nymphicus hollandicus): RELATO DE CASO

Mariana Vargas Ferreira de Rezende, Pedro Paulo Arcanjo Lima, Bruna Almeida Alvarenga Franco, Brenda Rosolen Souza, Melanie Ferreira Leite Jacintho Rabello, Leonardo Lara e Lanna

Resumo


A calopsita (Nymphicus hollandicus), ave pertencente à ordem dos Psittaciformes, vem sendo amplamente adotada como animal de estimação, tornando fundamental o conhecimento dos métodos de avaliação disponíveis para diagnóstico das enfermidades que acometem esta espécie, como as doenças ovarianas, comuns na rotina clínica, embora pouco descritas. Relata-se o diagnóstico ultrassonográfico de massa e doença ovariana cística em uma calopsita fêmea, seis anos de idade, atendida apresentando distensão abdominal e dispneia, com movimentação da cauda em pêndulo e bico aberto. O animal apresentava histórico de quadro similar há três anos. Devido ao quadro respiratório, foi realizada radiografia, que evidenciou aumento difuso de radiopacidade na cavidade celomática, sugestivo de ascite. Em seguida, foi feita punção aspirativa de 4,0 mL do fluido celomático para alívio respiratório e análise citológica, que mostrou transudato modificado com coloração avermelhada e predominância de macrófagos espumosos. Após estabilização, foi realizada ultrassonografia, que confirmou a presença de líquido livre na cavidade celomática e mostrou ovário esquerdo com dimensões aumentadas (2,11 cm x 1,12 cm), contornos irregulares e parênquima heterogêneo, com áreas hiperecogênicas e estruturas arredondadas anecogênicas com reforço acústico posterior, sendo a menor com dimensões de 0,63  cm x 0,82 cm e a maior de 1,25  cm x 1,78 cm. Em razão da suspeita de neoplasia e doença ovariana cística, foi indicada celiotomia exploratória para provável ovariectomia, porém o procedimento não foi autorizado pela tutora que, também, não retornou para discussão de alternativas terapêuticas. Os tumores mais frequentes em psitacídeos são cistoadenomas e cistoadenocarcinomas, entretanto no presente caso seu diagnóstico não pôde ser confirmado devido à impossibilidade de exame histopatológico. Os distúrbios endócrinos causados por neoplasias ovarianas podem levar doença ovariana cística associada. A dispneia apresentada pela ave provavelmente foi decorrente da compressão dos sacos aéreos e pulmões pela ascite, comumente descrita em tumores ovarianos em psitacídeos, como consequência de celomite não-infecciosa. Os distúrbios reprodutivos em questão podem resultar de uma combinação multifatorial de medidas de manejo, como alteração dos ciclos sazonais por aumento artificial do fotoperíodo, umidade elevada, dieta hipercalórica, disponibilidade de locais de nidificação e contato social, que estimulam a atividade reprodutiva e hormonal da ave, predispondo à ocorrência de ovário policístico e neoplasias ovarianas. Portanto, o manejo ambiental e alimentar adequados previnem o surgimento dessas afecções. Embora esteja descrita a avaliação do trato urogenital por ultrassonografia em aves a partir de 70 g, não foram encontrados parâmetros na literatura para o tamanho normal dos folículos ovarianos em calopsitas, mostrando a importância de estudos sobre a reprodução desta espécie. Embora existam relatos de agonistas do Hormônio Liberador de Gonadotrofinas (GnRH) no controle de neoplasia ovariana em calopsita, a recomendação no presente caso foi o tratamento cirúrgico definitivo. Ainda que a realização de exames complementares, como o histopatológico, fosse necessária para o diagnóstico definitivo, a ultrassonografia se mostrou uma ferramenta viável para a identificação de doenças ovarianas, como cistos e massas, destacando a importância deste exame de imagem, apesar das particularidades anatômicas das aves.


Palavras-chave


ave; doenças reprodutivas; neoplasia; ultrassonografia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76369

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