INTOXICAÇÃO POR ORGANOFOSFORADO EM UM EQUINO: RELATO DE CASO

Anny Raissa Carolini Gomes, Andressa Duarte Lorga, Jéssica do Rocio Janiszewski, Lucimara Strugava, Isabelle Smaniotto Compagnoni, Ana Paula Rossa, Peterson Triches Dornbusch, Ivan Deconto

Resumo


Os organofosforados são antiparasitários utilizados em animais domésticos, dentre os princípios ativos, encontra-se o triclorfon. Estes agentes têm ação anticolinesterásica, e podem causar intoxicação e óbito de forma aguda horas após sua administração. Estes fármacos geram hiperestimulação do sistema parassimpático, e os sinais clínicos manifestados são sialorreia, bradicardia, lacrimejamento, diarréia, fraqueza e tremores musculares (LOPES et al.,2014). Possuem alta toxicidade, existindo relatos de intoxicação por estes agentes na espécie humana e ruminantes, porém não há relatos em equinos.

Um equino da raça Brasileiro de Hipismo, macho castrado, 5 anos, 447 kg, deu entrada no Hospital Veterinário com suspeita de intoxicação por organofosforado. O animal recebeu vermífugo oral a base de mebendazol e triclorfon, seguindo a dose recomendada, e horas após a ingestão do medicamento apresentou diarréia, dor abdominal moderada e apatia. Outros cavalos que receberam o antiparasitário demonstraram os mesmos sinais clínicos incluindo sialorréia, e grande parte destes animais vieram a óbito.

Ao exame físico inicial o animal apresentou mucosa oral levemente ictérica, freqüência cardíaca (FC) de 36 bpm, freqüência respiratória (FR) 20mpm, temperatura retal de 37,8°C, tempo de preenchimento capilar (TPC) de 2,5 segundos, e hipomotilidade intestinal nos quadrantes superior e inferior direito; exibiu hiporexia, dor abdominal leve a moderada, e apatia. Durante o internamento a motilidade intestinal inicialmente ficou diminuída, tendo episódios de hipermotilidade e cólica. Nos picos de dor o animal apresentava FC acima de 40 bpm, fezes diarréicas, refluxo e febre, com pico de 38,9°C. A mucosa se tornou congesta, o animal apresentou miose, desidratação moderada e sialorréia, havendo melhora gradual com o tratamento.

O animal foi submetido à terapia de suporte intensiva, sendo administrado flunixim meglumine 1,1mg/kg/24h, endovenoso (EV) para alívio da dor abdominal por 3 dias; metronidazol EV na dose de 15mg/kg e oral na dose de 25mg/kg  por 11 dias e transfaunação a cada 12 horas por 3 dias para resolução da diarreia; gentamicina 6,6mg/kg/24h EV; metoclopramida intramuscular (IM) a cada 4h como procinético usando dose de 10mg para cada 70kg de peso por dois dias; ranitidina endovenosa 1mg/kg/8h por seis dias, omeprazol oral 4m/kg/24h por 21 dias e sucralfato 20mg/kg/12h por cinco dias para tratamento de gastrite possivelmente causada pela hiporexia, estresse pela condição enferma, e pelo tratamento clínico. Para reversão da ação anticolinesterásica e melhora dos sinais clínicos, foi administrado atropina na dose de 0,017mg/kg, sendo aplicado 5ml EV e 10ml subcutâneo (SC) uma vez ao dia por dois dias. As soluções de glicose 5% e ringer com lactato foram escolhidas para fluidoterapia, neste caso, a solução glicosada foi utilizada devido a hiporexia e ao fato de a glicose ser necessária para eliminação de tóxicos pela via hepática.

Com a terapia o animal teve recuperação gradativa, recebendo alta após 11 dias de internamento, voltando a atividade física após um mês de repouso, com bom desempenho. Neste caso o tratamento instituído foi capaz de gerar melhora e recuperação clínica total do animal, que posteriormente pôde voltar a suas atividades atléticas.


Palavras-chave


antiparasitários; cavalos; tratamento; triclorfon; vermífugo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76354

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