TRATAMENTO DE TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO EM Nasua nasua (Linnaeus, 1766): RELATO DE CASO

Maria Eduarda de Quadros Soares, Júlia Vieira Herter, Cecília Haarengl de Souza Braz, Guilherme Mazocante de Oliveira, Lenon Silva Lemos de Oliveira, Sofia Silva La Rocca de Freitas, Líria Queiroz Luz Hirano

Resumo


Animais silvestres podem ser expostos a diversas agressões de caráter traumático, como por exemplo, quedas, atropelamentos e predação. Tais eventos podem originar diversas lesões, dentre elas, o traumatismo cranioencefálico (TCE), que é definido como um trauma na cabeça que afeta o sistema nervoso central (CUNHA, 2017). O objetivo do presente trabalho é relatar um caso de traumatismo cranioencefálico em um quati (Nasua nasua). Foi atendido um exemplar de quati macho, jovem, no Setor de Animais Silvestres do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília,  que apresentava hipoatividade e hiporreflexia. Ao exame físico, foi observada fissura no palato em região média e laceração em região de face. A imagem radiográfica permitiu observar fratura no osso frontal e confirmou a fissura no palato. A abordagem terapêutica inicial foi realizada com fluidoterapia com ringer lactato (50 mL, SC, dose única), manitol 20% (5 mg/kg, IV, BID) e tramadol 50 mg/mL (6 mg/kg, IM, BID)  por quatro dias. Concomitantemente, houve a utilização de meloxicam 0,2% (0,1 mg/kg, IM, SID) e dipirona 500 mg/mL (25mg/kg, VO, BID) por dez dias. No sexto dia de tratamento, iniciou-se o uso de propentofilina 10 mg/mL (3 mg/kg, VO, BID) por quinze dias. Foi observada melhora do quadro clínico inicial após o terceiro dia de tratamento. Após dois meses, foi observada resolução da fratura e então o animal foi considerado apto para retorno à natureza e encaminhado ao CETAS-DF para soltura. No TCE ocorre ativação de vias bioquímicas que intensificam os danos e elevam a pressão intracraniana (PIC), que compromete a perfusão encefálica e é considerada como a principal causa de óbito. Para uma melhor terapêutica recomenda-se exame neurológico completo e auxílio de exames de imagem. A prioridade deve ser a estabilização crânio cervical, além da manutenção de pressão de perfusão cerebral e suprimento de oxigênio adequados. Evitar a hipovolemia, a hipóxia e a hiperglicemia são essenciais para um melhor prognóstico. O manitol possui efeito osmótico e age na diminuição da viscosidade sanguínea e na indução da diurese, o que promove a vasoconstrição cerebral e diminui o risco de edema cerebral. Já a propentofilina auxilia no aumento da perfusão sanguínea e consequente oxigenação cerebral. O controle da dor também está ligado diretamente à diminuição da PIC, por isso analgésicos e anti-inflamatórios não esteroidais são recomendados nos protocolos terapêuticos de TCE. O uso de opioides pode causar efeitos adversos, como hipotensão e depressão respiratória e, consequente, aumento da PIC, porém quando utilizado com doses analgésicas são considerados seguros. Em casos graves, a intervenção cirúrgica pode ser recomendada (SANDE; WEST, 2010). O tratamento de TCE deve ser imediato e agressivo, pois apesar do prognóstico reservado, os animais podem se recuperar de forma sistêmica e neurológica se as anormalidades forem identificadas precocemente, conforme o quati deste presente relato.

Palavras-chave


manitol; quati; tce; terapêutica; trauma

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76308

 Creative Commons License

BASE DE DADOSScopus  Sumário.Org  Google Scholar  BASE  Dimensions  DIRETÓRIOS:  Open Air  Genamics  EZB  Diretório Luso brasileiro  ROAD  Latindex  REDIB  Journal 4-free  PORTAIS:  LiVre  Capes  Science Open  World Wide Science  ÍNDICES:  Index Copernicus  Cite Factor