DIAGNÓSTICO CLÍNICO, LABORATORIAL E NECROSCÓPICO DA PERITONITE INFECCIOSA FELINA: RELATO DE CASO 

Nathalia Tianny Gonçalves, Sabrina Nascimento Ferreira, Guilherme Dallazen Aguiar, Carina De Fátima Guimarães Dallazen

Resumo


Foi atendida em um centro veterinário particular na cidade de Ponta Grossa, estado do Paraná, uma paciente felina, da raça Persa, com oito meses de idade e pesando 1,9 kg, com histórico de perda de peso, inapetência e diarreia esporádica. Ao exame físico apresentou mucosas normocoradas, desidratação, secreção ocular discreta e leve dor abdominal à palpação. Foram solicitados exames complementares para delinear o diagnóstico. As principais alterações ultrassonográficas foram dilatação de vasculatura hepática, dilatação de pelve renal esquerda, enterite difusa, mesentério com intenso sinal positivo ao doppler e presença de líquido livre abdominal. No hemograma observou-se microcitose, hipoproteinemia, linfopenia, desvio nuclear de neutrófilos a esquerda degenerativo, trombocitose e anisocitose plaquetária. Nos exames bioquímicos as alterações foram hipercolesterolemia e hiperglicemia. A coleta de urina foi realizada por cistocentese, e, após análise, a urina apresentou densidade aumentada, uma cruz de proteínas presentes, leucocitose, presença de hemácias e células epiteliais, sem bactérias sensíveis ao Gram. O resultado do teste SNAP para FIV e FeLV (IDEXX®) foi negativo para ambas as doenças. Procedeu-se com a coleta e análise do líquido ascítico, o líquido ao exame físico era de coloração amarelo palha, com pH aumentado (8,0), aumento das proteínas totais e da glicose, na contagem total de células verificou-se a presença de células nucleadas acima da referência descrita, sem bactérias sensíveis ao Gram.  Após a análise da efusão, devido à coloração amarelo-palha ser característica da peritonite infecciosa felina (PIF) (KENNEDY; LITTLE, 2016), procedeu-se com a coleta hematológica para realizar o PCR (reação em cadeia da polimerase) para a PIF. A paciente foi internada para tratamento de suporte, correção da desidratação e manejo alimentar. Instituiu-se fluidoterapia considerando 8% de desidratação, alimentação com alimento hipercalórico (Nutralife®) via seringa, administração de dipirona 25 mg/kg a cada oito horas, omeprazol 1 mg/kg a cada 12 horas, citrato de maropitant (Cerenia®) 1 mg/kg a cada 24 horas e suplemento vitamínico (Bionew®) 0,2 mL/kg a cada 24 horas. Durante o primeiro dia de internação, a paciente permaneceu apática, com parâmetros vitais dentro da normalidade, não aceitando alimentação espontaneamente e, a partir do segundo dia, além dos sinais descritos, apresentou hipotermia e hipoglicemia, a segunda corrigida com a administração de glicose endovenosa, no entanto ainda no segundo dia de internação a paciente entrou em óbito. Para concluir o diagnóstico, devido à espera do resultado do exame de PCR, solicitou-se a realização de exame necroscópico. O laudo constatou, como principal alteração, lesão vascular (arterite) observada em vários órgãos, levando, devido à ausência de integridade do endotélio vascular, ao extravasamento de líquido do meio intravascular para o extravascular, causando grave choque hipovolêmico, insuficiência cardiorrespiratória e óbito. As causas infecciosas para arterite relatadas em felinos são os fungos, não sendo observadas estruturas fúngicas à microscopia neste caso, e as infecções por coronavírus felino (FCoV), como a PIF (JONES; HUNT; KING, 2000). O resultado do PCR, feito com amostra de sangue total, foi positivo para o vírus da PIF.

Palavras-chave


PIF; coronavírus felino; arterite; PCR

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.76275

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