REABILITAÇÃO DE UM CÃO COM DOENÇA DO DISCO INTERVERTEBRAL TORACOLOMBAR GRAU V – RELATO DE CASO

Eduardo Lux, Fabiano Zanini Salbego

Resumo


A doença do disco intervertebral (DDIV) é uma das afecções mais frequentes na clínica neurológica de cães, sendo que no grau mais severo, caracterizado pelo grau V, verifica-se um quadro de tetraplegia/paraplegia com ausência de dor profunda caudal a lesão (DEWEY, 2014). Assim sendo, o presente relato de caso objetivou discorrer a respeito da utilização da fisioterapia como modalidade única de tratamento em um quadro classificado como grau V. Foi atendido no setor de fisioterapia do hospital veterinário da UDESC, um cão, macho, dachshund, castrado e com dez anos de idade. O quadro clínico havia iniciado há, aproximadamente, 10 dias, manifestando paralisia dos membros pélvicos e dificuldade na sustentação do peso corporal em estação. No exame neurológico, o paciente apresentou sensibilidade à palpação da região toracolombar, propriocepção e dor profunda ausentes em membros pélvicos e reflexos aumentados em membros pélvicos. No exame radiográfico, observou-se esclerose das epífises articulares entre T12-T13 e T13-L1, proliferação óssea dorsal aos corpos vertebrais entre L1-L2 e L2-L3, e diminuição do espaço intervertebral entre T12-T13. Com base nos achados físicos e radiográficos, o diagnóstico presuntivo caracterizou-se como DDIV grau V. Exames complementares avançados e a intervenção cirúrgica não foram realizados por opção dos tutores. Desta forma, instituiu-se apenas o protocolo fisioterapêutico, caracterizado pela sinergia de múltiplas modalidades, incluindo a laserterapia com dosimetria de 3 J/cm² em múltiplos pontos ao longo das regiões toracolombar e lombossacral da coluna vertebral; fototerapia com frequência de 3000 Hz, intensidade 9 e duração de 14 min nas regiões cervical, toracolombar e lombossacral; magnetoterapia com frequência de 75 Hz, intensidade 9 e duração de 30 min; eletroterapia com frequência de 80 Hz, pulso de 200 μs, período de 30 min e intensidade inicial de 18 em ambos os canais, sendo aumentada a cada 10 min; moxaterapia; e cinesioterapia com diferentes exercícios ativos. Foram realizadas 16 sessões, sendo inicialmente instituídas três vezes por semana. Em relação à evolução, na 2ª sessão, pode-se observar o retorno da dor profunda nos membros pélvicos, porém a propriocepção permanecia ausente. Na 3ª sessão, o paciente apresentava um quadro de paraparesia não ambulatória, caracterizando a enfermidade em grau III. Na 4ª sessão, o paciente conseguia sustentar-se em estação e ao passo, realizando um caminhar incoordenado e levemente cifótico. No exame físico, observou-se a propriocepção presente em membro pélvico esquerdo, possibilitando a redução das sessões para duas vezes por semana. Na 7ª sessão, o paciente apresentava-se com uma postura menos cifótica e com propriocepção presente em ambos os membros pélvicos, possibilitando a redução das sessões para uma vez por semana. Na 10ª sessão, o paciente demonstrou-se extremamente ativo, sem desvios de postura e sem dor à palpação no exame neurológico, caracterizando a DDIV em grau I. Com base na evolução apresentada, as sessões foram espaçadas para a manutenção mensal e o paciente manteve-se estável. Dessa forma, conclui-se que as sessões de reabilitação foram extremamente úteis no tratamento do quadro de DDIV deste paciente, cursando com uma melhora significativa do seu estado geral e da sua qualidade de vida.


Palavras-chave


coluna vertebral; fisioterapia; neurologia

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/avs.v15i5.75998

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