Seria Heidegger um kantiano? Um diálogo com Vinicius de Figueiredo
DOI:
https://doi.org/10.5380/sk.v23i3.101374Palavras-chave:
Kant, Heidegger, Nietzsche, metafísica, perspectivismo, subjetividadeResumo
O artigo tem como ponto de partida o diálogo com Vinicius de Figueiredo a propósito de meu livro Nietzsche, perspectivismo e democracia, onde proponho uma leitura kantiana do perspectivismo nietzschiano. Depois de repassar as principais linhas de minha argumentação, tanto no livro como no artigo em que reagi às objeções de Figueiredo, procuro mostrar que, ao contrário do que eu afirmava na época, a filosofia de Heidegger em Ser e tempo também pode ser lida na mesma chave. Para tanto, recorro ao § 23 da obra, onde Heidegger dialoga com o texto Como orientar-se no pensamento?, de Kant, acerca da eventual “subjetividade” do espaço. Embora o “ser-no-mundo”, a exemplo da “vontade de poder” nietzschiana, represente uma tentativa de superar a oposição kantiana entre “sujeito” e “objeto”, haveria em ambos certo resquício de “subjetividade” — a garantir, segundo defendo, a vocação ao mesmo tempo metafísica e antidogmática da filosofia.
Referências
CASSIRER, E. Hermann Cohen e a renovação da filosofia kantiana. Tradução de Rafael Rodrigues Garcia e Ivânio Lopes de Azevedo Júnior. Argumentos, ano 14, n. 28, p. 113-26, 2022.
CLARK, M. Nietzsche on Truth and Philosophy. Cambridge: Cambridge University Press, 1990.
ENGELLAND, C. Heidegger’s Shadow: Kant, Husserl, and the Transcendental Turn. Londres: Routledge, 2017.
FIGUEIREDO, V. 40 anos da ANPOF — um balanço. In: Coluna Anpof, 27 de julho de 2023. Disponível em: https://anpof.org.br/comunicacoes/coluna-anpof/40-anos-da-anpof-um-balanco. Acesso em dez. de 2025.
FIGUEIREDO, V. Seria Nietzsche um kantiano? Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade, v. 20, n. 1, p. 51-72, 2015.
HEIDEGGER, M. Sein und Zeit. Tübingen: Max Niemeyer Verlag, 1967.
KANT, I. Was heisst, sich im Denken orientieren? In: Gesammelte Schriften. Hrsg. von der Königlich Preußischen Akademie der Wissenschaften, vol. VIII. Berlin: G. Reimer, 1902–.
KAULBACH, F. Philosophie des Perspektivismus. Tübingen: JCB Mohr, 1990.
KISIEL, T. The Genesis of Heidegger’s Being and Time. Berkeley, Los Angeles: University of California Press, 1993.
MARTON, S. Nietzsche: das forças cósmicas aos valores humanos. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2000.
MATTOS, F. C. Seria Nietzsche um Heideggeriano? In: Cadernos de Filosofia Alemã: Crítica e Modernidade, v. 22, n. 1, p. 99-113, 2017.
NIETZSCHE, F. Além do bem e do mal. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Cia. das Letras, 2003.
NIETZSCHE, F. Assim falou Zaratustra. Tradução de Mário da Silva. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Fernando Costa Mattos

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores retêm os direitos autorais (copyright) de suas obras e concedem à revista Studia Kantiana o direito de primeira publicação.
Autores cedem o direito aos editores de vincular seus artigos em futuras bases de dados.
Todo o conteúdo desta revista está licenciado sob a Licença Internacional Creative Commons 4.0 (CC BY 4.0)

