A paixão da igualdade e o desafio da diferença: da mão francesa ao multinaturalismo ameríndio
DOI:
https://doi.org/10.5380/sk.v23i3.101327Palavras-chave:
igualdade, revolução burguesa, regimes de historicidade, pensamento social brasileiro, virada ontológicaResumo
O artigo, em diálogo e homenagem a Vinicius de Figueiredo a partir de A paixão da igualdade, reconstrói a via francesa como laboratório em que a igualdade passa de paixão moral a costume e a lei por decaimento do privilégio. Em contraste com a Inglaterra, a França oferece a cena da generalidade abstrata da regra; esse recorte é então complementado pelo caso brasileiro, em que o léxico igualitário incide sobre regimes de historicidade concorrentes. A base material (Prado Jr., Furtado) e as formas de sociabilidade (Candido, Schwarz), articuladas à tese da Revolução burguesa no Brasil (Fernandes), explicam por que a igualdade se difunde como idioma de legitimidade e tarda a se converter em prática generalizada. Propõe-se, por fim, um deslocamento antropológico: da explicação histórico-social para uma gramática de tradução conceitual inspirada na virada ontológica (Holbraad e Pedersen) e no multinaturalismo (Viveiros de Castro). O artigo conclui defendendo um regime de tradução ontológica, no qual a igualdade se afirma como procedimento de composição entre mundos, em chave cosmopolítica, em contraponto ao ponto de vista cosmopolita.
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