Gosto, sociabilidade e doença mental em Kant
DOI:
https://doi.org/10.5380/sk.v23i3.100274Palavras-chave:
Kant, doença mental, gosto, sociabilidadeResumo
Na “Introdução” e no “Estudo” que acompanham sua tradução dos textos pré-críticos de 1764, Vinicius de Figueiredo defende a hipótese de que as Observações apresentam, sob uma formulação antropológica, o ideal de ser humano cosmopolita do Esclarecimento que nos acostumamos a reconhecer no período de maturidade de Kant. O presente trabalho sustenta que essa afirmação também se aplica ao Ensaio sobre as doenças mentais, malgrado a influência do pensamento do Rousseau que encontramos em suas páginas iniciais e finais. A partir de análises da onomástica desenvolvida nesse escrito, bem como das passagens correlatas da Antropologia de um ponto de vista pragmático, pretendo mostrar que o filósofo destaca, em sua caracterização dos distúrbios mentais, o prejuízo que elas causam à atuação livre do sujeito na sociedade civil, vinculando desse modo a patologia à sociabilidade.
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