O método estrutural em questão: autonomia ou alienação?
DOI:
https://doi.org/10.5380/sk.v23i3.101950Palavras-chave:
metodologia filosófica, método estrutural, Filosofia no Brasil, Goldschmidt, V., Porchat, O.Resumo
A partir de uma reflexão de Vinicius de Figueiredo sobre o papel pedagógico e institucional do método estrutural quanto à filosofia acadêmica brasileira, propõe-se aqui examinar a própria natureza dessa metodologia. O objetivo é determinar se ele conduz a uma independência intelectual ou, ao contrário, a uma forma de alienação. Para tanto, vou me ater à formulação paradigmática da leitura estrutural em Victor Goldschmidt e Oswaldo Porchat. Minha hipótese é de que, dado o ceticismo filosófico subjacente à análise estrutural que ambos descobriram e assumiram, aquela então não é por si um obstáculo para a liberdade intelectual. No entanto, questiona-se se o método estrutural, apesar de não impedir à autonomia do pensamento, pode ser enfim uma maneira de alcançá-la.
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