A Sociedade, o Estado e o Encontro: reflexões a partir de Clastres, Krenak e La Boétie

Autores

  • Erika Cipolla

Palavras-chave:

Clastres, Krenak, La Boétie, sociedade, povos originários

Resumo

As reflexões acerca das estruturas que fundamentam o surgimento e a manutenção das organizações sociais as consideraram, durante um longo período, como inseparáveis do exercício da autoridade estatal e do poder político coercitivo. As comunidades que voluntariamente recusam, por diversos séculos, a necessidade deste aparato hierárquico em suas relações sociais foram e ainda são comumente associadas a uma suposta incompletude ou incapacidade, tanto técnica quanto racional. A capacidade orgânica das configurações sociais, desconsiderada das convicções tradicionais e ocidentais do poder, se apresenta nos povos originários em relações que compartilham certos enunciados de mundo, mas recusam a necessidade de uma unidade identitária e do aparato estatal. O espaço político destas comunidades se constitui e se movimenta através da produção da consciência crítica pela memória e de um repertório cultural que preza a liberdade. O pensar sobre a existência de sociedades como entes separados e não estritamente relacionados ao poder repressivo está presente nos empreendimentos filosóficos promovidos por Clastres, Krenak e La Boétie. Considerada a diversidade nas dinâmicas motivadoras de suas teorias, um interessante conjunto conceitual pode ser experimentado a partir desta análise interpretativa que pretende articular suas produções textuais e discursivas. O presente ensaio intenta apresentar uma possibilidade de conexão entre estas elaborações sobre a problemática do poder, apoiada nas implicações reais de seu alcance perante os fenômenos sociais.

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Publicado

2026-02-04

Como Citar

Cipolla, E. (2026). A Sociedade, o Estado e o Encontro: reflexões a partir de Clastres, Krenak e La Boétie. Sociologias Plurais, 12(1). Recuperado de https://revistas.ufpr.br/sclplr/article/view/92757