EXPRESSÃO DE RELIGIOSIDADE POPULAR: OS FESTEJOS EM HONRA A SÃO BENEDITO DE GURUPÁ NO BAIRRO PERPÉTUO SOCORRO, MACAPÁ-AP

Marcos Vinicius Freitas Reis, Aldeci da Silva Dias

Resumo


O objeto desta pesquisa é estudar a religiosidade popular específica do bairro Perpétuo Socorro, em Macapá, enfatizando suas crenças, representações, práticas religiosas, bem como, a circularidade entre a cultura das classes dominantes e a cultura das classes subalternas. O que despertou o interesse nessa pesquisa foi o fato de que, apesar de o bairro possuir uma santa oficial da Igreja Católica, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, também há outra devoção igualmente importante, em que ocorre procissão, novena, símbolos e representações, enquadrando-se em ações denominadas de catolicismo popular, isto é, a Festa de São Benedito de Gurupá. Orientados pela ciência etnográfica, combinamos a análise bibliográfica com história oral e nossa vivência nos rituais que participamos. Constatamos que “O Festejo de São Benedito de Gurupá” e “A Festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro” divergem entre si e, simultaneamente, combinam-se para construir um objeto comum: a religiosidade popular, que é o tema central deste trabalho. Demonstramos também que as concepções populares de religião e fé se contrapõem às concepções da oficialidade católica e, por vezes, necessitam tolerar-se para a manutenção de seus poderes simbólicos; embora seja um poder invisível, mas de grande importância social.


Palavras-chave


Religiosidade Popular; Bairro Perpétuo Socorro; Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; São Benedito de Gurupá

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Referências


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DIAS, A. S. Com o aumento do número de participantes, atualmente muitos devotos de São Benedito já ficam pelo lado de fora da Capela. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Fiéis entrando na Capela, carregando o andor com a imagem de São Benedito após a procissão. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro; em 2002, encontra-se em reforma. À frente, o bispo comanda seus fiéis. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Imagem da capela São Benedito: ao fundo, o padre José Busato, o primeiro sacerdote a celebrar missa nesta capela. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Na ausência do Bispo e do padre, é a Dona Zuíla quem coordena todos os acontecimentos durante a procissão: cânticos, preces e agradecimentos; uma autêntica mantenedora dos festejos. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Na mesa, do centro, almoçando com as crianças, o capuchinho Moises, que acompanha as celebrações eucarísticas na capela São Benedito desde o ano de 2001. No entanto, sem a realização de missas. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Novenário dirigido por Dona Zuíla. Durante as nove noites de novena (18 a 26 de dezembro de 2002) foi ela que direcionou os eventos na Capela, devido à ausência de Padres. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Procissão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no mês de agosto, onde o Bispo é a presença certa. A quantidade de devotos é bem maior que na procissão de São Benedito. 2002. (Arquivo Pessoal)

DIAS, A. S. Procissão de São Benedito de Gurupá; à frente, crianças com suas vestes brancas. 2002. (Arquivo Pessoal)

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rt.v11i1.86623