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ACURÁCIA VERTICAL DE MODELOS DIGITAIS DE ELEVAÇÃO PRODUZIDOS COM DIFERENTES RESOLUÇÕES ESPACIAIS, ÁREAS DE ABRANGÊNCIA E, PROCESSOS DE GERAÇÃO – CASO DE ESTUDO PARA O ESTADO DO PARANÁ - BR

Tony Vinicius Moreira Sampaio, Tiago Lima Rodrigues, Daniel Rodrigues dos Santos, Luciene Stamato Delazari, Leonardo Ercolin Filho, José Eduardo Gonçalves, Ana C. Aoki Lopes

Resumo


Modelos digitais do terreno (MDTs), de superfície (MDSs) ou elevação (MDEs) objetivam representar as elevações de uma determinada região. São gerados a partir de diferentes métodos, distintas resoluções espaciais e áreas de abrangência e seus dados são utilizados em projetos de engenharia e estudos ambientais. Este trabalho analisa a acurácia vertical absoluta, geral e por classes de uso, de cinco MDS/MDTs de acesso e uso gratuitos disponíveis para o estado do Paraná. A pesquisa emprega as metodologias propostas pela American Society for Photogrammetry and Remote Sensing (ASPRS, 2015) e pela Especificação Técnica para o Controle de Qualidade para Dados Geoespaciais (DSG, 2016). A análise consolidada (global) indicou que o MDS ALOS PALSAR é o mais indicado para projetos a serem desenvolvidos no Paraná que empreguem diferentes classes de uso. Já em áreas de vegetação, os modelos ALOS PALSAR e o MDT LAGEO devem ser priorizados. Para projetos a serem desenvolvidos em áreas abertas e não vegetadas, indica-se o uso do MDS ALOS PALSAR e, em áreas urbanas, recomenda-se o uso do MDS AW3D30. A pesquisa mostrou que a escolha de um modelo em detrimento de outro pode implicar em divergências de acurácia da ordem de até 10m e, que as diferentes classes de uso podem apresentar padrões de qualidade significativamente distintos. Ainda, que modelos regionais construídos a partir de processos de interpolação apresentam potencial para obtenção de resultados superiores aos observados nos modelos globais gratuitos. Por fim, a pesquisa revelou que a maior parte dos valores dos conjuntos de discrepância altimétrica observados não apresentaram distribuição normal, indicando que o parâmetro estatístico percentil 95 proposto pela ASPRS se mostrou mais adequado como indicativo de acurácia.


Palavras-chave


REQM, RMSE, Qualidade, Distribuição normal de erros altimétricos

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/raega.v53i0.80054