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O que (não) dizem as entrelinhas: Análise dos casos de abandono de uma clínica-escola em psicologia

Isabela Cedro Farias, Samara Vasconcelos Alves, Camilla Araújo Lopes Vieira

Resumo


Estudos sobre clínicas-escola de psicologia constatam elevados índices de desistência/abandono nos atendimentos individuais. Diante dessa informação, este artigo trata da análise dos encaminhamentos feitos da atenção básica da saúde a uma clínica-escola de psicologia de uma instituição de ensino superior. Nosso objetivo é aprofundar o entendimento, nesse contexto específico, das causas que levam ao abandono e também explorar a diferença existente entre conveniência e resistência ao tratamento. Foi realizada uma pesquisa mista, de caráter quanti-qualitativo e documental. O corpus foi composto por 133 prontuários, do período de 2014 a 2016, de usuários que interromperam o tratamento. Os dados foram analisados à luz da Análise de Discurso Crítica (ADC) através das categorias analíticas interdiscursividade e intertextualidade. Os resultados mostraram que variáveis relacionadas a problemáticas sociais tem um peso tão significativo quanto o desejo dos pacientes de permanecerem em atendimento. O estudo também revelou que os motivos que levam ao abandono são diversos e singulares. A expectativa dos pacientes de um tratamento que esteja em conformidade com o modelo biomédico e farmacológico, por exemplo, foi um fator de abandono. A pesquisa concluiu que as clínicas-escola são espaços que sobrevivem e resistem no trabalho de acolhida dos sujeitos em sofrimento.


Palavras-chave


psicoterapia; clínicas-escola; desistência do tratamento.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/riep.v24i3.68058