A globalização da penalidade neoliberal? Comentários sobre a conexão EUA, França e Brasil proposta por Loïc Wacquant

Letícia Figueira Moutinho Kulaitis

Resumo


O presente artigo abrange uma análise da tese de Loïc Wacquant de que a partir da hegemonia ideológica dos Estados Unidos da América estabelece-se a adoção na Europa e na América Latina, em especial no Brasil, de uma penalidade neoliberal. Para Wacquant, seguindo o modelo norte-americano, países como a França e o Brasil tem orientado suas políticas no sentido da adesão de um “mais Estado policial/penitenciário” e de um “menos Estado econômico e social”, assumindo, desse modo, a ideologia norte-americana do mercado total. O resultado, em termos objetivos, é o aumento significativo do encarceramento de jovens, pobres e negros, nos países analisados por Wacquant, exprimindo, portanto, um tratamento penal da miséria. O objetivo deste artigo é compreender de que modo a penalidade neoliberal emerge como uma nova faceta do processo de globalização. Para tanto são analisados os textos produzidos por Loïc Wacquant que tratam do tema em questão bem como de outros autores que contribuem para a discussão do tema. São analisados dados empíricos sobre o total de indivíduos encarcerados e o perfil destes por meio das estatísticas produzidas pelo Ministério da Justiça no Brasil e órgãos correlatos nos Estados Unidos e França.


Palavras-chave


Estado Penal; Neoliberalismo; Globalização.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/nep.v4i2.63822

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