TRAJETÓRIAS, FORMAÇÃO MILITAR, REPRODUÇÃO DO PODER E O CURSO DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS DA POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO
DOI:
https://doi.org/10.5380/nep.v12i01.104726Resumo
O referio trabalho² analisa as dinâmicas de reprodução e manutenção de posições de poder no Curso de Formação de Oficiais (CFO) da Academia de Polícia Militar Gonçalves Dias (APMGD), no Maranhão (MA), com ênfase na relação entre as trajetórias sociais de cadetes e sua ascensão no interior da hierarquia formativa. Parte-se da compreensão de que a formação militar não se limita à qualificação técnica, mas constitui um espaço social estruturado por classificações, distinções e disputas simbólicas, no qual posições e tomadas de posições são organizadas formalmente pelo critério da “antiguidade”. O estudo investiga como as trajetórias familiares, experiências escolares e vínculos institucionais prévios influenciam o desempenho e a progressão dos cadetes ao longo do Curso. A hipótese central sustenta que a “antiguidade”, embora apresentada como resultado exclusivo do mérito acadêmico-militar, pode ser atravessada por disposições incorporadas ao longo da socialização anterior ao ingresso na instituição. Assim, recursos acumulados nas esferas familiar e social tendem a operar na adaptação às exigências disciplinares, na construção de exigências e no acesso a redes informais de apoio e informação. Metodologicamente, a pesquisa articula dados quantitativos e qualitativos, com aplicação de formulários a 52 cadetes e entrevistas semiestruturadas com 10 participantes, permitindo cruzar posições objetivas na classificação interna com narrativas sobre trajetória e pertencimento. Os resultados indicam que o ingresso e a progressão no Curso não ocorrem em um vazio social, mas dialogam com heranças sociais que podem influenciar a consolidação de posições e a projeção de carreiras futuras na instituição militar.
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