POSSIBILIDADES E LIMITES DA TEORIA DA ESCOLHA RACIONAL NO CONTEXTO AFRICANO. O PARADOXO ENTRE INSTITUCIONALISMO FORMAL E AS REGRAS DE JOGO POLÍTICO VIGENTE

Autores

  • DAUDA UALI UFRGS

Resumo

Desde a Proclamação da Independência dos Estados africanos no início da década de 1960, a questão da governabilidade e a imprevisibilidade das instituições têm representado os principais obstáculos para o desenvolvimento e a estabilidade política. Durante o processo de construção do Estado, observou-se a fragilidade dos governos, que enfrentam problemas estruturais de ordem social, econômica e cultural. Nesse contexto, vários países adotaram o desenho de modelos institucionais ocidentais como mecanismo para a organização da sociedade e a resolução de conflitos, sem uma revisão profunda da origem e dos problemas que essas instituições carregam. Essas novas instituições criaram modelos de regimes patrimoniais, que combinam a burocracia administrativa autoritária, o clientelismo e a violência política institucionalizada. Apesar da abertura democrática no início da década de 1990, o sistema de governação continua sendo moldado por regimes autoritários. Esse padrão de modelo de regime gera déficit de confiança dos cidadãos nas instituições democráticas, no processo eleitoral e nos partidos políticos. Como a probabilidade de cidadãos renovarem seus representantes por meio das eleições é baixa, os golpes militares se tornam um mecanismo mais viável para a remoção dos governantes no poder. Este artigo busca compreender em que medida as abordagens da teoria da escolha racional pode contribuir na explicação do comportamento das elites no sistema político africano. Para esta análise, foi adotado a pesquisa bibliográfica e documental como os métodos principais. A conclusão reforça a ideia de que a crise da democracia na África se deve em grande medida ao comportamento das elites e ao modelo de instituições democráticas adotado, que não se adaptam a realidade.

Referências

AFRICA CENTER FOR STRATEGIC STUDIES. Term Limit Evasions and Coups in Africa: Two Sides of the Same Coin. Infographic. October 24, 2023 (updated on June 6, 2024). Disponível em: https://africacenter.org/spotlight/term-limit-evasions-coups-africa-same-coin . Acesso em: 15 jan. 2026.

BLAIS, Andre. To Vote or Not to Vote? The merits and limits of rational choice theory. University of Pittsburgh Press, 2000.

BRATTON, Michael. The Alternation Effect in Africa. Journal of Democracy. V-15. N-4. 2004. pp. 147-158. Disponível em: 10.1353/jod.2004.0059. Acesso em: 10 jan. 2026.

BUCHANAN, James M. TULLOCK, Gordon. The calculus of consent: logical foundations of constitutional. V.3. Indianapolis, 1965.

DIAMOND, Larry. Progress and Retreat in Africa: The Rule of Law versus the Big Man. Journal of Democracy, V. 19; N: 2; 2008. pp. 138-149. Disponível em: https://muse.jhu.edu/pub/1/article/235509/pdf . Acesso em: 20 jan. 2026.

DIAMOND, Larry. Progress and Retreat in Africa: The Rule of Law versus the Big Man. Journal of Democracy, V. 19; N: 2; 2008. pp. 138-149. Disponível em: https://muse.jhu.edu/pub/1/article/235509/pdf. Acesso em: 20 jan. 2026.

Freedom House (2025). Regional Trends and Threats to Freedom. Disponível em: <https://freedomhouse.org/report/report-sub-page/2025/regional-trends-and-threats-freedom>. Acesso em: 10 jan. 2026.

HALL, Peter A.; TAYLOR, Rosemary C. R. As três versões do neo-institucionalismo. Lua Nova (58). 2003. [1996]. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-64452003000100010 Acesso em: 12 fev. 2026.

JACKSON, Robert H. ROSBERG, Carl G. Personal Rule: Theory and Practice in Africa. Comparative Politics, Vol. 16, No. 4. 1984. pp. 42-442.

KI-ZERBO, Joseph. Para Quando a África? entrevista com René Holenstein. Tradução: Carlos Aboim de Brito. Rio de Janeiro: Pallas, 2009.

LOPES, Carlos. Governar sem pensar: a falência do planeamento nacional. Entrevista. 11. nov. 2025. 1h2min2s. Youtube. Bocadurna. Programa Legislativo, 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Jmj5HPJEwsc. Acesso em: 14 dez. 2025.

NORTH, Douglass. Institutions, institutional change and economic performance. Cambridge University Press, 1990.

NORTH, Douglass C. 1991. "Institutions." Journal of Economic Perspectives. v. 5, n.1, p. 97–112. Disponível em: 10.1257/jep.5.1.97. Acesso em: 15 jan. 2026.

POSNER, Daniel N. YOUNG, Daniel J. The institutionalization of political power in Africa. Journal of Democracy. v.18, n:3, 2007.

SHEPSLE, Kenneth A. Analizar la política Comportamiento, instituciones y racionalidade. Colección Docencia. 2016. [1997].

SUMA, N. P. CAOMIQUE, P. G. Golpes em África: desfrancização e redemocratização no Sahel. Tensões Mundiais. Fortaleza. V. 20, n. 43, p. 75-102, 2024. Disponível em: https://revistas.uece.br/index.php/tensoesmundiais/article/view/12123/11706. Acesso: 10 jan. 2026.

TILLY, Charles. Coerção, Capital e Estados Europeus. São Paulo: EDUSP, 1996.

UALI, Dauda; GUGLIANO, Alfredo A. A. Quando as reformas institucionais produzem os efeitos inesperados: análise sobre os desafios da institucionalização da democracia na Guiné-Bissau. Revista Sul-Americana De Ciência Política. 2025. 10(2). 1-20. Disponível em: https://doi.org/10.15210/rsulacp.v10i2.28168. Acesso em: 20 dez. 2025.

Downloads

Publicado

2026-06-23

Como Citar

UALI, D. (2026). POSSIBILIDADES E LIMITES DA TEORIA DA ESCOLHA RACIONAL NO CONTEXTO AFRICANO. O PARADOXO ENTRE INSTITUCIONALISMO FORMAL E AS REGRAS DE JOGO POLÍTICO VIGENTE. Revista NEP - Núcleo De Estudos Paranaenses Da UFPR, 12(01), 56–77. Recuperado de https://revistas.ufpr.br/nep/article/view/104658