RECONFIGURAÇÃO DE PODER E TRANSIÇÃO DE CICLOS POLÍTICOS
O (O)CASO DO FERREIRAGOMISMO NO CEARÁ (2014 A 2026)
Resumo
Desde a redemocratização, a política cearense tem sido marcada pela atuação de grupos hegemônicos capazes de articular amplas coalizões e controlar o Executivo estadual. Entre eles, destacou-se o grupo liderado por Ciro e Cid Ferreira Gomes que, a partir de 2006, consolidou uma das mais duradouras experiências de hegemonia política no Nordeste nos anos recentes. Contudo, após o fim do governo Cid Gomes, em 2014, o grupo passou a enfrentar desgaste progressivo, marcado por fragmentação interna, perda de capacidade de coordenação política e rompimento com aliados. O ponto de inflexão ocorreu nas eleições de 2022, quando o ferreiragomismo sofreu uma implosão que reconfigurou o quadro de forças políticas no Ceará. Este artigo analisa o processo de declínio do ferreiragomismo e seus desdobramentos no rearranjo das elites políticas cearenses entre 2014 e 2026. Parte-se da hipótese de que o enfraquecimento do grupo não decorre apenas de derrotas eleitorais, mas de fatores estruturais, como a personalização da liderança, o desgaste de alianças estratégicas, a ausência de sucessores capazes de renovar o projeto político e a redefinição dos cálculos das elites diante da corrosão de seu capital político. Nesse contexto, a possível candidatura de Ciro Gomes ao governo estadual em 2026 é interpretada como tentativa de reversão de um ciclo político em declínio. Metodologicamente, o trabalho combina análise de dados eleitorais, mapeamento de redes políticas e exame das mudanças no contexto político estadual. Ao fazê-lo, busca contribuir para o debate sobre hegemonia, circulação de elites e transições políticas em contextos subnacionais.
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