Autocracia burguesa, dependência e capital-imperialismo: determinantes históricos-econômicos do poder oligárquico no Brasil
Resumo
O artigo analisa os determinantes histórico-estruturais da dominação política e social exercida por oligarquias familiares no Brasil contemporâneo, articulando as categorias de capital-imperialismo e dependência. Tomando como pressuposto as contribuições da Sociologia Histórica e Genealógica sobre a continuidade de famílias tradicionais nos centros de poder, o trabalho avança em uma direção teórica, investigando as mediações entre capitalismo dependente e a autocracia burguesa com a reprodução de uma plutocracia oligárquica. De caráter ensaístico, o artigo fundamenta-se em revisão bibliográfica para defender a hipótese de que a continuidade genealógica das classes dominantes não é resíduo arcaico, mas expressão necessária da estrutura de reprodução do capitalismo dependente. Para esse fim, inicialmente argumentamos que a depleção externa da riqueza nacional, bem como a superexploração e a autocracia burguesa que daí decorrem, conformam o solo estrutural da oligarquização. Depois, investigamos o processo de formação do capital-imperialismo no pós-guerra e, em seguida, a conversão da burguesia brasileira em agente ativo do capital-imperialismo. Por fim, examinamos como a constituição de uma teia política internacional reconfigura a "dupla articulação" entre interesses internos e externos condicionou a cena política no período pós-redemocratização.
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