As ciências de frente ao negacionismo, conspiracionismo e analfabetismo científico

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.5380/dp.v22i3.96071

Mots-clés :

Educações, Contemporaneidade, Crítica e Clínica da Cultura, Escola sem Partido.

Résumé

As reflexões sobre as educações na contemporaneidade atravessam sintomas contemporâneos que representam disputas na configuração do campo simbólico-cultural e de suas linhas de subjetivação para a instauração dos modos de educar e formar sujeitos, dentre eles expressões reacionárias e neofundamentalistas. Dentre tais dinâmicas a disputa que tem sido realizada se dá no que toca o conceito e a significação das ciências. Desta percepção este ensaio objetiva-se em traçar as relações entre pensamento científico e teoria da cultura a partir de tais sintomas sociais contemporâneos, tomando o movimento Escola sem Partido como sintoma representativo. Tal escrita faz-se por uma hermenêutica Crítica e Clínica da cultura, compreendendo como linhas de constituição de tal sintoma o negacionismo, conspiracionismo e o analfabetismo científico.

Biographie de l'auteur

Alexandre Luiz Polizel, IFES

Doutor (2019-2023) e Mestre (2017-2019) no Programa de Ensino de Ciência se Educação Matemática da Universidade Estadual de Londrina. Pesquisador Produtividade PQ-3 do IFES. Atualmente é Professor no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espirito Santo e líder do "Kultur - Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofias, Educações, Ciências, Culturas e Sexualidades" (IFES). Professor no Programa de Pós-graduação em Ensino na Educação Básica (Ceunes)

Références

ABECHE, R. P. C. 2013. Liberalismo/neoliberalismo: modos de trabalho, modos de subjetivação. In: CANIATO, A. M. P.; ABECHE, R. P. C. (Org.). Psicanálise, teoria crítica e cultura: uma leitura psicopolítica da subjetividade contemporânea. Maringá: EdUEM, p. 63-76.

ADORNO, T. W.; HORKHEIMER, M. 1991. Dialética do Esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

ADORNO, T. W. 2020. Aspectos do novo radicalismo de direita. São Paulo: Editora Unesp.

AGAMBEN, G. 2004. Estado de Exceção. São Paulo: Boitempo.

AGAMBEN, G. 2019. Signatura rerum: sobre o método. São Paulo: Boitempo.

ALLOUCH, J. 1997. Paranóia: Marguerite ou a "Aimée" de Lacan. Rio de Janeiro, Companhia de Freud Editora.

BAUDRILLARD, J. 1981. Simulacros e Simulação. Lisboa: Relógio D’água.

BIRMAN, J. 2019. Cartografias do avesso: escrita, ficção e estéticas de subjetivação. São Paulo: Civilização Brasileira.

BRASIL. Projeto de lei nº 193 de 2016 – Institui o programa Escola sem Partido.

BRASIL. Projeto de Lei nº 246 de 2019 – Institui o programa Escola sem Partido.

BRASIL. Projeto de lei nº 867 de 2015 – Institui o programa Escola sem Partido.

BYBEE, R. W. 1995. Achieving Scientific Literacy, The Science Teacher, v.62, n.7, p. 28-33.

CALLIGARIS, C. 2022. O grupo e o mal: estudos sobre a perversão social. São Paulo: Editora Fósforo.

CANNET, E. 2019. Massa e poder. São Paulo: Companhia das Letras.

CARVALHO, F. A.; POLIZEL, A. L.; MAIO, E. R. 2016. Uma escola sem partido: discursividade, currículo e movimentos sociais. Revista Semina – Ciências Humanas e sociais, v. 37, n. 2, p. 193-210.

CHASSOT, A. 2000. Alfabetização Científica: Questões e Desafios para a Educação. Ijuí: Editora da Unijuí.

COMITE I. 2016. Aos nossos amigos: Crise e Insurreição. São Paulo: N-1 Edições.

DARDOT, P.; LAVAL, C. 2016. A Nova Razão do Mundo: Ensaio sobre a sociedade neoliberal. São Paulo: Editora Boitempo.

DELEUZE, G. 2018. Nietzsche e a Filosofia. São Paulo: N-1.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. 1996. Mil platôs: Capitalismo e esquizofrenia volume 3. Rio de Janeiro: Editora 34.

DELEUZE, G.; GUATTARI, F. 2011. O anti-edipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34.

DERRIDA, J. 1997. A farmácia de Platão. São Paulo: Iluminuras.

DÍAZ, J. A. A.; ALONSO, Á. V.; MAS, M. A. M. 2003. Papel de la Educación CTS en una Alfabetización Científica y Tecnológica para todas las Personas. Revista Electrónica de Enseñanza de las Ciencias, v. 2, n. 2, p. 80-111.

DUNKER, C. I. L. 2003. Sobre a compreensão psicanalítica de paranóia. Mental, v.1, n.1, p. 23-37.

DUNKER, C. I. L. 2017. Subjetividade em tempos de pós-verdade. DUNKER, Christian (Orgs). Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublimense, p. 9-42.

FALUDI, S. 2001. Backlash: o contra-ataque na guerra não declarada contra as mulheres. Rio de Janeiro: Rocco.

FERNANDES, A. H. 2001. O caso Aimée e a casualidade psíquica. Agora, v. 4, n. 2, p.73-87.

FOUCAULT, M. 2016. Microfísica do poder. 4 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

FOUCAULT, M. 2010. A hermenêutica do sujeito: curso dado em Collège de France (1981-1982). São Paulo: Editora WMF Martins Fonte.

FOUCAULT, M. 2015. História da sexualidade I: A vontade de saber. 3 ed. São Paulo: Paz e Terra.

FOUCAULT, M. 2008. Nascimento da biopolítica. São Paulo: Martins Fontes.

FOUCAULT, M. 1990. Michel.Qu'est-ce que la critique? Critique et Aufklärung. Bulletin de la Société française de philosophie, Vol. 82, nº 2, pp. 35 - 63, avr/juin 1990 (Conferência proferida em 27 de maio de 1978).

FOUREZ, G. 1999. Alfabetización científica y tecnológica. Buenos Aires: Colihue.

FREUD, S. 2014. Inibição, sintoma e angústia, O futuro de uma ilusão e outros textos (1926-1929). São Paulo: Companhia das Letras.

FREUD, S. 1969. O Eu e o Isso. In: Freud, Sigmund. Obras completas de Sigmund Freud – Tomo XIX. Rio de Janeiro: Imago, p.23-89

FREUD, S. 2010a. O mal-estar na civilização, novas conferências introdutórias à psicanálise e outros textos (1930-1936). São Paulo: Companhia das Letras.

FREUD, S. 1988. Obras completas: Observações psicanalíticas sobre um caso de paranóia (dementia paranoides) (1911) & Notas sobre um caso de neurose obssessiva (1911). Buenos Ayres: Amorrotu.

FREUD, S. 2017. Psicologia das massas e análise do eu. Porto Alegre: LP&M.

FURLAN, C. C.; CARVALHO, F. A. 2020. Comunismo e gênero no Escola sem Partido: notas para não sucumbir a uma pedagogia fascista. Revista FAEEBA – Educação e contemporaneidade, v. 29, n. 58, p. 168-186.

GUATTARI, F. 2009. As três ecologias. Campinas: Papirus.

HAMON, R. 2020. Do delírio paranóico a reivindicação: crimes de gozo em nome do ideal. Revista latino-americana de fundamentos de psicopatologias, v.23, n.2, p. 291-321.

HAN, B.-C. 2018. Psicopolítica: Neoliberalismo e as novas técnicas de poder. Belo Horizonte: Editora Âyiné.

KANT, I. 2018. Crítica da razão prática. São Paulo: Lafonte.

KEHL, M. R. 2020. Ressentimento. São Paulo: Boitempo.

LACAN, J. 1987. Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade. Rio de Janeiro: Forense Universitária.

LACAN, J. 1985. O Seminário, livro 3: As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

LATOUR, B. 2011. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Unesp.

LATOUR, B. 2013. Investigación sobre los modos de existência. Buenos Aires: Paidós.

LATOUR, B. 2020. Diante de Gaia: oito conferências sobre a natureza no Antropoceno. Rio de Janeiro: Editora UBU.

LATOUR, B. 1994. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Rio de Janeiro: Ed. 34.

LIPOVETSKY, G. 2005. A Era do Vazio. Barueri: Manole.

LYOTARD, J.-F. 2002. A condição pós-moderna. São Paulo: José Olympio.

MANNHEIM, K. 1986. “O pensamento conservador”. In: MARTINS, José de Sousa (Org.). Introdução crítica à sociologia rural. São Paulo: HUCITEC, p.77-131.

MARX, K. 2013. O capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital [1867] São Paulo: Boitempo.

MASSCHELEIN, J; SIMONS, M. 2013. Em defesa da escola: uma questão pública. Belo Horizonte: Autêntica.

MCGOEY, L. 2019. The unknowers: how strategic ignorance rules the world. London: ZED.

MILLER, J. D. 1983. Scientific Literacy: a conceptual and empirical review. Daedalus, v. 112, n. 2, p. 29-48.

MISKOLCI, R. 2018; Teoria queer: um aprendizado pelas diferenças. Belo Horizonte: Autêntica.

NIETZSCHE, F. 2016. Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém. Porto Alegre-RS: L&PM.

NIETZSCHE, F. 2019. Genealogia da Moral: uma polêmica. São Paulo: Companhia das Letras.

NIETZSCHE, F. 1974. Obras incompletas. 1. ed. São Paulo: Abril Cultural.

Ó, J. R. 2010. Para uma crítica das artes da existência e da ideia de consciência na modernidade: a problematização foucaultiana. In: VICENTINI; Paula Perin; ABRAHÃO, Maria Helena Menna Barreto (Orgs). Sentidos, potencialidades e usos da (auto)biografia. São Paulo: Cultura Acadêmica, p. 19-48.

PENNA, F. A.; SALLES, D. C. 2017. Dupla certidão de nascimento do Escola sem Partido: analisando as referências intelectuais de uma retórica reacionária. In: MUNIZ, Altemar de Costa; LEAL, Tito Barros (Org.). Arquivos, documentos e ensino de história: desafios contemporâneos. Fortaleza: EdUECE, p. 13-38.

POLIZEL, A. L. 2019c. Corpos e bio-virtualidades: pedagogias do eu no vale dos homossexuais. 152 f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação Matemática). Universidade Estadual de Londrina, Londrina.

POLIZEL, A. L. 2019b. É possível uma educação para as sexualidades em meio ao desejo ‘cidadãos de bem’?. In: MAIO, Eliane; OLIVEIRA, Marcio de. (Orgs). Gênero, sexualidades e diferenças: categoria de análise, (des)territórios de disputa. Maringá: Eduem, p 43-60.

POLIZEL, A. L. 2019a. Percepções do movimento escola sem partido: currículos pastorais e o professor enquanto catequista. Revista Amazônida, v.4, n.1, p. 01-16.

RATIER, R. 2016. 14 perguntas e respostas sobre o “Escola sem Partido”. In: AÇÃO EDUCATIVA (Orgs). A ideologia do movimento escola sem partido: 20 autores desmontam o discurso. São Paulo: Ação Educativa, p. 29-42.

REICH, W. 1988. A psicologia de massas do fascismo. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes.

RICOEUR, P. 2010. Tempo e Narrativa: 3. o tempo narrado. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes.

ROSE, N. 2011. Inventando nossos selfs: psicologia, poder e subjetividade. Petrópolis-RJ: Editora Vozes.

SAFATLE, V. P. 2008b. Cinismo e a falência da crítica. São Paulo: Boitempo.

SAFATLE, V. P. 2017. É racional parar de argumentar. In: DUNKER, Cristian (Orgs). Ética e pós-verdade. Porto Alegre: Dublinense, p. 125-136.

SAFATLE, V. P. 2018. O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo. Belo Horizonte: Autêntica Editora.

SAFATLE, V. P. 2008a. Por uma crítica da economia libidinal. Revista IDE: Psicanálise e Cultura, São Paulo, v. 31, n. 46, p. 16-26.

SAGAN, C. 2006. O mundo assombrado pelos demônios. São Paulo: Companhia das Letras.

SASSERON, L. H. 2014. Alfabetização científica como objetivo do ensino de ciências. Licenciatura em Ciências, São Paulo, Modulo 7, p. 47-57.

SILVA, T.T. 2010. Currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica.

SILVA, T. T. 2015. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica.

TSING, A. L. Viver nas ruínas: paisagens multiespécies no Antropoceno. Brasília: IEB Mil Folhas, 2019

UTZ, A. 1977. Entre neoliberalismo y neomarxismo: filosofia de uma vía media. Barcelona: Editorial Herder.

Téléchargements

Publiée

2026-02-23

Comment citer

Polizel, A. L. (2026). As ciências de frente ao negacionismo, conspiracionismo e analfabetismo científico. DoisPontos, 22(3). https://doi.org/10.5380/dp.v22i3.96071

Numéro

Rubrique

Racionalidade e irracionalidade social