Complementaridade Ou Dependência? O Dilema da Armênia Pós-Soviética

Rodrigo Monteiro de Carvalho

Resumo


Desde sua independência, em 1991, a Armênia vem buscando adotar uma política externa multivetorial, autointitulada como “política de complementaridade”. Esta abordagem foi adotada com o propósito de assegurar diplomaticamente os recursos financeiros e de segurança necessários que a pequena república sul-caucasiana não poderia prover autonomamente. Na prática, no entanto, o que se viu foi uma aproximação política, militar e econômica com a Rússia que, ao longo dos anos, passou a se configurar como uma relação de dependência. O conflito armado contra o Azerbaijão pelo controle da região de Nagorno-Karabakh, que já se estende por três décadas, e o embargo promovido pela Turquia são fatores que agravam o quadro de isolamento da Armênia e a impele a buscar por ajuda externa. O presente artigo pretende discutir os desdobramentos e a viabilidade atual da “política de complementaridade” a partir de análise histórica e documental e da comparação das trajetórias das relações da Armênia pós-soviética com a Rússia, com o Ocidente e com as potências regionais circundantes, Turquia e Irã. Espera-se demonstrar que os graves desafios à segurança nacional limitaram a capacidade do país de conduzir uma política externa independente e que a simples substituição de sua classe dirigente continua sendo insuficiente para alterar o rumo de seus alinhamentos externos e de seu ainda incompleto processo de integração regional.

Palavras-Chave: Armênia; Complementariedade; Dependência; Política Externa Multivetorial.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cg.v8i2.69056

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