A República Sitia Canudos
A consolidação do poder civil republicanos às expensas do Arraial de Belo Monte
DOI:
https://doi.org/10.5380/clio.v16i1.101041Palavras-chave:
República, Canudos, Os sertões, Consolidação, Biopoder.Resumo
O artigo investiga a Guerra de Canudos (1896–1897) como um marco da consolidação do poder civil republicano no Brasil. Tem por objeto a relação entre o massacre do arraial de Belo Monte e o fortalecimento do regime instaurado em 1889. O problema que orienta a análise consiste em compreender como a República, sob o ideal de ordem e progresso, legitimou a eliminação de sujeitos considerados ameaças à nova ordem nacional. Parte-se da hipótese de que a destruição de Canudos simbolizou a aplicação de uma tecnologia de poder — o biopoder — que disciplinou e excluiu corpos dissidentes em nome da modernidade. O estudo apoia-se teoricamente em Michel Foucault e Achille Mbembe e metodologicamente em uma análise textual-discursiva da obra Os Sertões, de Euclides da Cunha. Conclui-se que o extermínio de Canudos foi constitutivo da legitimidade política e simbólica do Estado republicano.
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