Os usos do perfil – formas de ensino e práticas da diferença em escolas de teatro musical

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5380/cra.v21i2.74207

Palabras clave:

corpos, sistemas de classificação, perfil, escolas de teatro musical, formas de ensino.

Resumen

Este artigo descreve aulas de “audição” de duas escolas de teatro musical – uma em São Paulo e outra em Nova York. O texto pretende, de um lado, adensar a discussão sobre um ambiente pedagógico ainda pouco explorado pela literatura da antropologia da educação: as escolas de teatro. E, de outro, analisar as práticas de ensino adotadas. Para isso, persigo os usos da categoria “perfil” nas salas de aula e nas falas de docentes e de estudantes. Tal categoria, fundamental no vocabulário desses ambientes, confere acesso para discutir sistemas de classificação que hierarquizam corpos e atualizam normativas de gênero, sexualidade e raça no cotidiano pedagógico. Com base em pesquisa de campo e em entrevistas, procurei responder as seguintes perguntas: como se aprende o “perfil”? Como essa convenção produz diferenças e desigualdades nos corpos de estudantes?

Biografía del autor/a

Bernardo Fonseca Machado, Universidade Estadual de Campinas

Doutor em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorando na Universidade de Campinas (Unicamp). Bolsista Fapesp, projeto nº 2019/08713-2.

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Documentos:

Bureau of Labor Statistics. Usual weekly earnings of wage and salary workers, second quarter 2018. U. S. Department of Labor. 17 jul. 2018.

Reportagem Local. 2005. “Desgaste é ‘sobre-humano’, diz o Fantasma brasileiro”. Folha de S. Paulo, 20 abr. 2005. Ilustrada: E3.

Cómo citar

Machado, B. F. (2020). Os usos do perfil – formas de ensino e práticas da diferença em escolas de teatro musical. Campos – Revista De Antropologia, 21(2), 164–188. https://doi.org/10.5380/cra.v21i2.74207

Número

Sección

Dossiê