Open Journal Systems

Para aprender e ensinar antropologias

Amanda Horta, Claudia Fioretti Bongianino

Resumo


Este artigo explora relatos sobre experiências acadêmicas das autoras para refletir sobre formas de aprender e ensinar antropologias capazes de incorporar seu potencial reflexivo à prática docente. Em diálogo com autores e autoras que analisam criticamente as raízes coloniais da disciplina,
argumentamos que o método de ensino ancorado na dualidade Nós versus Outros tende a produzir antropólogas e antropólogos identificadas com o Nós nessa dualidade e isso é politicamente perigoso. Realizada sobre o pano de fundo da democratização do acesso ao Ensino Superior no Brasil e do fenômeno do “renascimento indígena”, a análise enfatiza o crescente protagonismo das populações originárias nos debates globais e argumenta pela necessidade de recusar o método hegemônico de ensinar
antropologia. Por fim, sugerimos orientar os cursos introdutórios para a pluralidade de antropologias que compõem este campo de conhecimentos e suas condições de produção.


Palavras-chave


Teoria Antropológica; Ensino de Antropologia; Decolonialismo; Democratização das Universidades; Renascimento Indígena

Texto completo:

PDF

Referências


Almeida, M. I. de. (2014). Mira! – Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas. Introdução.

Mundo Amazónico, 5, 185-188.

Archibald Q’um Q’um Xiiem; Archibald, J-A.; Lee-Morgan, J.; & De Santolo, J. (2019). Decolonizing

Research: Indigenous Storywork as Methodology. Zed Books.

Asad, T. (org.). (1973). Anthropology and the colonial encounter. London: Ithaca Press.

Bongianino, C. (2018). Deus e Outros parentes invisíveis (Tese de Doutorado). Museu Nacional, Universidade

Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Borges, A.; Costa, A.; Couto, G.; Cirne, M.; Lima, N.; Viana, T.; & Paterniani, S. (2015). Pós-Antropologia: as críticas de Archie Mafeje ao conceito de alteridade e sua proposta de uma ontologia combativa. Sociedade e Estado, 30(2), 347-369. https://doi.org/10.1590/S0102-699220150002000005

Capiberibe, A. & Bonilla, O. (2015). A ocupação do Congresso: contra o quê lutam os índios? Estudos Avançados, 29(83), 293-313. https://doi.org/10.1590/S0103-40142015000100014

Chakrabarty, D. (2000). Provincializing Europe. Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton, Princeton University Press.

Chua, L., & Mathur, N. (2018). Reimagining Alterity and Affinity in Anthropology. Front Cover. Oxford, New York: Berghahn Books.

Clifford, J. (2013). Becoming Indigenous in the Twenty-First Century. Cambridge, MA: Harvard University Press.

Collins, B.; Laws, M. C., & Ntakirutimana, R. (2020). Becoming “Historically Marginalized Peoples”: examining Twa perceptions of boundary shifting and re-categorization in post-genocide Rwanda. Ethnic and Racial Studies 44(4), 576-594. https://doi.org/10.1080/01419870.2020.1767798

Corrêa, M. (1997). Dona Heloisa e a pesquisa de campo. Revista de Antropologia, 40(1), 11-54. https://

doi.org/10.1590/S0034-77011997000100002

Corrêa Xakriabá, C. N. (2018). O barro, o genipapo e o giz no fazer epistemológico de autoria Xakriabá: reativação da memória por uma educação territorializada. (Dissertação de Mestrado). Universidade de Brasília, Brasília.

Costa, S. (2006). Desprovincializando a sociologia: a contribuição pós-colonial. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 21(60), 117-134. https://doi.org/10.1590/S0102-69092006000100007

Dewulf, J. (2006). Por vozes nunca dantes ouvidas: a viragem pós-colonial nas ciências humanas. In A. L. Amaral & G. Cunha (orgs). Estudos em homenagem a Margarida Llosa (131-140). Porto: Universidade do Porto.

Fernandes, L. C. (2016). Cotistas e Não Cotistas: Qual o Desempenho dos Alunos do IFMT? (Dissertação

de Mestrado). Universidade Federal de Pernambuco, Recife.

Forte, M. (2005). Ruins of Absence, Presence of Caribs: (Post)Colonial Representations of Aboriginality in Trinidad and Tobago. Miami: University of Florida Press.

Forte, M. (2006). ‘Introduction: The dual absences of extinction and marginality – what difference does an indigenous presence make?’ In Indigenous Resurgence in the Contemporary Caribbean: Amerind Survival and Revival (pp 1–18). New York: Peter Lange.

Freire, P. ([1970] 2003). Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Edições Paz e Terra.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Edições Paz Terra.

Geertz, C. (1978). A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Zahar.

Goldman, M. (2016). Mais alguma antropologia: ensaios de geografia do pensamento antropológico. São Paulo: Ponteio.

Grünewald, L., & Benites, A. C. (2017) Anti-equivalências. Sobre duas antropologias. Ñanduty, 5(6), 103-118. https://doi.org/10.30612/nty.v5i6.6876

Guarnieri, F. V., & Melo-Silva, L. L. (2017). Cotas Universitárias no Brasil: Análise de uma década de produção científica. Psicologia Escolar Educacional, 21(2), 183-193. https://doi.org/10.1590/2175-3539201702121100

Guilherme, J. C. (2017). A poética da luta: rap indígena entre os Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul. (Dissertação de mestrado). Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Harari, Y. N. (2014). Sapiens: A brief history of humankind. Nova Iorque: Random House.

Haraway, D. (1995). Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, 5, 07-41. https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773

Holbraad, M., & Pedersen, M. A. (2017). The Ontological Turn: An Anthropological Exposition. Cambridge: Cambridge University Press.

Horta, A. (2018). Relações indígenas na cidade de Canarana (MT). (Tese de Doutorado). Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Horta, A. (2020). Oengman Menen: vê seu caminho. Apontamentos sobre a vida e as mortes das mulheres ikpeng. Brasília: Gráfica Movimento.

Hymes, D. (org.). (1974). Reinventing anthropology. New York: Vintage.

Ingold, T. (2016). “Chega de etnografia! A educação da atenção como propósito da antropologia”. Educação, 39(3), 404-411. https://doi.org/10.15448/1981-2582.2016.3.21690

Kopenawa, D., & Albert, B. (2010). La chute du ciel. Paroles d‘un chaman yanomani, Paris: Plon.

Kopenawa, D., & Albert, B. (2013). The falling sky: words of a Yanomami shaman. Massachusets-London: Belknap Press.

Kopenawa, D., & Albert, B. (2015). A queda do céu. Palavras de um xamã yanomami. São Paulo:Companhia das Letras.

Krenak, A. (2019). O amanhã não está à venda. São Paulo: Cia das Letras.

Krenak, A. (2020). Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Cia das Letras.

Krotz, E. (1997). Anthropologies of the South: Their Rise, Their Silencing, Their Characteristics. Critique of Anthropology, 17(3), 237-351. https://doi.org/10.1177/0308275X9701700302

Localish. (2020) Native American Girls Transform into Traditional Clothing. Youtube, 20 de abril. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9Gaeuc7TsTc

Mafeje, A. (2001). Anthropology in post-independence Africa: end of an era and the problem of self definition. Nairobi: Heinrich Böll Foundation; Regional Office East and Horn of Africa.

Mafeje, A. (2008). Africanity: a combative ontology. Codesria Bulletin, 3-4, 106-110.

Maruyama, H., & Kroik, Å. V. (2018). Indigenous fflorescence. Beyond revitalization in Sapmi and Ainu Mosir. Camberra: ANU Press.

Mbembe, A. (2018). Necropolítica. São Paulo: n-1 Edições.

Mehinaku, M. (2010). Tetsualü: pluralismo de línguas e pessoas no Alto Xingu (Dissertação de mestrado). Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Milanez, F., Sá, L. Krenak, A., Cruz, F. S. M., Ramos, E. U. & Pataxó, G. S. (2019). Existência e diferença: O racismo contra os povos Indígenas. Revista Direito e Práxis 10(3). 2161–2181. https://doi.org/10.1590/2179-8966/2019/43886

Vicente, J. P. (2019). Quem é Raoni Metuktire, caiapó apontado como candidato ao Nobel da Paz. National Geographic. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/

/10/quem-e-raoni-metuktire-caiapo-apontado-como-candidato-ao-nobel-da-paz Acesso: abr. 2020.

Oliveira. A. L. M. de. (2019). Educação Superior brasileira no início do século XXI: inclusão interrompida? (Tese de Doutorado). Universidade Estadual de Campinas, Campinas.

Oliveira, L. de. (2016). Bro Mc’s rap indígena: O pop e a constituição de fóruns cosmopolíticos na luta pela terra Guarani e Kaiowa. Revista eco pós. Cultura POP, 19(3), 199-220. https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/3790

Oliveira, N. A. de. (2010). Ser Xavante, morar e estudar na cidade: os Xavante em Nova Xavantina/MT. Patrimônio e Memória, 10(2), 235-253.

Outakoski, H. (2015). Davvisámegielat čálamáhtu konteaksta [The context of North Sámi literacy]. Sámi dieđalaš áigečála, 1, 29-59.

Peirano, M. (2006). Um ponto de vista sobre o ensino da antropologia. In M. P. Grossi, A. Tassinari, & C. Rial (orgs.). Ensino de antropologia no Brasil: formação, práticas disciplinares e além fronteiras (77-104). Blumenau: Nova Letra.

Restrepo, E., & Escobar, A. (2004). Antropologías en el mundo. Jangwa Pana, (3), 110-131.

Restrepo, E., & Escobar, A (2005). Other Anthropologies and Anthropology Otherwise: Steps to a World Anthropology Network. Critique of Anthropology, 25(2), 99-129. https://doi.org/10.1177/0308275X05053009

Ribeiro, D. (1977). Os Índios e a Civilização: a integração das populações indígenas no Brasi moderno. Rio de Janeiro: Vozes.

Ribeiro, G. L., & Escobar, A. (2008). Antropologías del mundo. Transformaciones disciplinarias dentro de sistemas de poder. Popayán: Diseño Grafico e Impresiones.

Ricoeur, P. (2007). A memória, a história e o esquecimento. Campinas, SP: Editora Unicamp.

Santos, A. B. dos. (2015). Colonização, quilombos: modos e significações. Brasília: INCTI, UnB.

Silva, G. U. L. da. (2015). O desempenho e as cotas: o caso da UFSC. (Dissertação de Mestrado). Programa de Pós-graduação em Sociologia Política, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.

Simpson, A. (2014). Mohauwk Interruptions. Political life across the borders of settler States. Durham and London: Duke Univertsity Press.

Stengers, I. (2011). Cosmopolitics II. Minneapolis: University of Minnesota Press.

Surarás do Tapajós. Challenge - Mulheres Indígenas. Youtube, 7 de abril de 2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=h0aqs4D3e70

TallBear, K. (2015). Dossier: Theorizing Queer Inhumanisms: An Indigenous Reflection on Working Beyond the Human/Not Human. GLQ: A Journal of Lesbian and Gay Studies, 21(2-3), 230-235.

Todd, Z. (2014). Indigenizing the Anthropocene. In H. Davis & E. Turpin. (ed). Art in the Anthropocene: Encounters Among Aesthetics, Politics, Environment and Epistemology (pp. 241-254). London: Open Humanities Press.

Todd, Z. (2015). The We and Them of Anthropology. Savage Minds. May 16, 2015. Disponível em: https://savageminds.org/2015/05/16/the-we-and-them-of-anthropology. Acesso em: abr. 2020.

Todorov, T. (1983). A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes.

Vega Sanabria, G., & Dias Duarte, L. F. O ensino de Antropologia e a formação de antropólogos no Brasil hoje:de tema primordial a campo (possível) de pesquisa (antropológica). Revista Brasileira de Informação Bibliográfica em Ciências Sociais - BIB, 90(3), 1-31. https://doi.org/10.17666/bib9010/2019

Viveiros de Castro, E. (2002). O nativo relativo. Mana, 8(1), 113-148. https://doi.org/10.1590/S0104-93132002000100005

Wagner, R. (2010 [1981]). A invenção da cultura. São Paulo: Cosac Naify.




DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cra.v22i2.73285

Apontamentos

  • Não há apontamentos.