Projetos de desenvolvimento no Rio São Francisco: administrando vocações e desigualdades

Russell Parry Scott

Resumo


O artigo examina a diversidade de transformações a partir dos projetos de desenvolvimento no Rio São Francisco entre as barragens de Sobradinho e Itaparica desde 1973. Mostra uma geopolítica de negociações, disputas e redefinições constantes sobre territórios, para desvendar estruturas de poder na região. Os processos de planejamento, definição de objetivos, operações de implantação e resistência criam uma geopolítica histórica de disputas sobre territórios e vocações privilegiadas neles. Caracteriza: barragens como projetos de desenvolvimento de energia da CHESF; agricultura irrigada para exportação como projeto de desenvolvimento da CODEVASF; agricultura familiar/comercial em agrovilas de reassentados como projetos de vida de atingidos/mitigados; assentamentos agrícolas de MST como projetos de vida para ocupar espaços de empresas falidas para agricultura família/comercial; e territórios indígenas e quilombolas como projetos de vida de reemergências de identidades étnicas num contexto democratizante. Diferencia lógicas de uso de tempo e estabelecimento de prioridades entre projetos de desenvolvimento e de vida que resultam na formação de territórios diversos, permeados por negociações e conflitos.


Palavras-chave


Rio São Francisco; projetos de desenvolvimento; projetos de vida; territórios; poder

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/campos.v14i1/2.42570

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