CFP Dossiê Gestão comunitária em patrimônio e turismo

As práticas turísticas envolvendo patrimonios naturais ou culturais impulsionam, legitimam e resignificam processos como a territorialização/espacialização de memórias/passados, tradições, ideários nacionais. Na configuração de dispositivos museísticos a gestão comunitária se mostra cada vez mais presente na decisão sobre práticas, saberes, lugares/paisagens e bens identificados como patrimônio tangível e intangível. Em projetos de desenvolvimento turístico, nos quais o patrimônio adquire um papel relevante, cumpre-se analisar como as comunidades locais (povos originários, afrodescendentes, tradicionais, campesinxs, mulheres organizadas) intervêm em
processos institucionais que muitas vezes apresentam um campo de relações desiguais do poder econômico, político, e simbólico, cujas tensões nem sempre contemplam a real participação das comunidades. Refletir sobre como a ativação turística do patrimônio colocam em tensão conceitos como o de participação ou gestão comunitária, (como se definem e disputam e em quais termos); e principalmente como participam as comunidades nesses processos de construção de identidade/por meio do patrimônio, que se convertem em atrativos turísticas, seja mediante políticas públicas (programas) e modalidades de gestão participativas (observatórios) ou a partir de estratégias que as próprias comunidades implementam visando a aproximação do poder público em prol de seus interesses. Nosso debate se iniciou no Simpósio Patrimonio, turismo y gestión comunitaria en la redefinición de la naturaleza, cultura y territorio, no VI Congresso ALAS realizado em novembro de 2020 e os desdobramentos desse encontro nos impulsionaram a refletir, em uma perspectiva interdisciplinar e no contexto acadêmico latinoamericano, sobre as ações de redes comunitárias e demais formas associativas, como assembleias/cooperativa, em processos de
valorização do patrimônio tangível e intangível para o turismo, com vistas a garantir seu envolvimento nos ditos processos. Assim, aceitaremos contribuições que possibilitem discutir as tensões que emergem e se expressam nos processos de institucionalização de
memórias/passados; configuração de estratégias participativas das comunidades; reflexões teórico-metodológicas sobre a autenticidade dessas participações.

Organizadoras: Marcela Brac, Cecíla Perez Winter e Wilma M. Leitão.

Recebimento das contribuições entre 01 de junho de 2021 e 01 setembro de 2021.

Previsão de publicação: edição 23(2) 2022.