Coworking, uma forma de organização de trabalho: conceitos e práticas na cidade de São Paulo

Juliana Maria Moreira Soares, Patricia Saltorato

Resumo


Introdução: este estudo teve como objetivo analisar o formato de organização de trabalho denominada coworking. Trata-se de um formato segundo o qual diversas empresas, coletivos ou profissionais liberais compartilham de um mesmo espaço, buscando a partilha dos custos relativos ao local de instalação. Neste, objetivou-se explorar como este sistema vem sendo praticado e considerado como uma alternativa à organização atual de trabalho em uma metrópole brasileira. Método: utilizou-se o estudo de caso, tendo sido escolhidos para compor a análise e a exploração das práticas associadas a este conceito, três ambientes que operam segundo este sistema na cidade de São Paulo, Brasil. Foram realizadas quatro entrevistas com coworkers, e aplicados questionários junto a 24 indivíduos que trabalham em múltiplos ambientes de coworking. Resultados: analisaram-se respostas e depoimentos relativos à motivação para inserir-se em um ambiente de coworking (divisão dos gastos, localização, flexibilidade, outros), as impressões sobre as trocas de experiências, o compartilhamento de interesses comuns; e as questões críticas de gestão de tais ambientes (espaço, segurança, outros). Conclusão: foi possível inferir que esse sistema se apresenta como uma alternativa interessante para a organização do trabalho em uma cidade do porte de São Paulo, com especial destaque para a inovação e o empreendedorismo, ainda que a gestão dos espaços e dos relacionamentos requeiram maiores considerações.


Palavras-chave


Coworking; Organização do trabalho; Coletivos independentes; Espaços compartilhados

Texto completo:

HTML EPUB PDF

Referências


Arendt, H. (2007). A condição humana (10a. ed.). Rio de Janeiro: Forense Universitária.

Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar.

Bauman, Z. (2011). 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Zahar.

Botsman, R., & Rogers, R. (2011). What’s mine is yours: The rise of collaborative consumption. New York: Collins.

Clastres, P. (1974). A sociedade contra o estado. Recuperado em 12 out. 2015, de https://we.riseup.net/assets/71282/clastres-a-sociedade-contra-o-estado.pdf

Correia, A. C. G. (2006). Burocracia ou será burrocracia: o retardo do trabalho com eficiência e qualidade (Monografia de Pós-Graduação Lato Sensu em Administração de Qualidade). Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro.

Coworking Wiki. (2014, Out.). Plataforma colaborativa sobre coworking. Recuperado em 30 abr. 2014, de http://wiki.coworking.com/w/page/16583831/FrontPage

Deleuze, G., & Parnet, C. (1998). Diálogos (E. A. Ribeiro, Trad.). São Paulo: Escuta.

Dumazedier, J. (1973). Lazer e cultura popular. São Paulo: Perspectiva.

Escóssia, L., & Kastrup, V. (2005, maio/ago.). O conceito de coletivo como superação da dicotomia indivíduo-sociedade. Psicologia em Estudo, 10(2), 295-304. doi: 10.1590/S1413-73722005000200017

Fresca, T. M. (2011, ago./dez.). Uma discussão sobre o conceito de metrópole. Revista da ANPEGE, 7(8), 31-52. doi:10.5418/ra.v7i8.177

Gil, A. C. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social (5a.ed.). São Paulo: Atlas. (Trabalho original publicado em 1987)

Hillman, A. (2011, Ago.). Coworking core values 3 of 5: openness. Recuperado em 15 out. 2015, de http://dangerouslyawesome.com/2011/08/coworking-core-values-3-of-5-openness/

Hurry, C. J. P. (2012). The hub halifaz: a qualitative study on coworking (Mestrado em Administração de Empresas, St. Mary’s University, Halifax). Recuperado de http://library2 .smu.ca/handle/01/24826

Klein, M., Sayama, H., Faratin, P.,&Bar-Yam, Y. (2001). What complex systems research can teach us about collaborative design. In 6th international conference on computer supported cooperative work in design (p. 5-12). London, Ont.. doi: 10.1109/CSCWD.2001.942221

Lumley, R. M. (2014). Coworking project in the campus library: supporting and modeling entrepreneurial activity in the academic library. New Review of Academic Librarianship, 20(1), 49-65. doi: 10.1080/13614533.2013.850101

Mello, M. T., Esteves, A. M., Comparoni, A., Benedito-Silva, A. A., & Tufik, S. (2002, maio/jun.). Avaliação do padrão e das queixas relativas ao sono, cronotipo e adaptação ao fuso horário dos atletas brasileiros participantes da paraolimpíada em Sidney – 2000. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 8(3), 122-128. doi: 10.1590/S1517-86922002000300010

Moriset, B. (2014). Building new places of the creative economy: The rise of coworking spaces. In 2nd geography of innovation international conference 2014 (p. 1-25). Utrecht. Recuperado de https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-00914075/document

Oldenburg, V. T. (1984). The making of colonial lucknow: 1856-1877. United Kingdom: Princeton University.

Orlandi, D. (2013, 23 de Maio). Coworking in brazil. Deskmag. Recuperado em 15 out. 2014, de http://www.deskmag.com/en/coworking-spaces-in-brazil-sao-paulo-812

Piancastelli, C. H., Faria, H. P., & Silveira, M. R. (2000). O trabalho em equipe. In J. P. Santana (Ed.), Organização do cuidado a partir de problemas: uma alternativa metodológica para a atuação da equipe de saúde da família. Brasília: OPAS.

Pratt, A. (2008). Creative cities: the cultural industries and the creative class. Geografiska Annaler: Series B - Human Geography, 90(2), 107-117. doi: 10.1111/j.1468-0467.2008.00281.x

Quivy, R., & Campehoudt, L. (1998). Manual de investigação em ciências sociais (2a. ed.). Lisboa: Gradiva.

Reis, A. C., & Kageyama, P. (2009). Creative city perspectives. São Paulo: Garimpo de Soluções.

Schlesinger, J. (2010). Founding a hackerspace (Monografia de Bacharelado em Ciências). Faculty of Worcester Polytechnic Institute. Worcester Polytechnic Institute, Worcester.

Spinuzzi, C. (2010, Mar.). What coworking tell us about the future of work. In South by southwest interactive panel. Austin: University of Texas. Recuperado em 29 out. 2015, de http://pt.slideshare.net/spinuzzi/spinuzzi-sxswi2010

Spinuzzi, C. (2012, Out.). Working alone together: coworking as emergent collaborative activity. Journal of Business and Technical Communication, 26(4), 399-441. doi:10.1177/1050651912444070

Thackara, J. (2005). In the bubble: designing in a complex world. Cambridge: The MIT Press.

Veloso, V. G. (2008). Grupo ou coletivo: uma questão de tempo. In V Congresso da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (p. 1-4). Belo Horizonte.

Yin, R. K. (2005). Estudo de caso: planejamento e métodos (3a. ed.). Porto Alegre: Bookman.




DOI: http://dx.doi.org/10.5380/atoz.v4i2.42337

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Universidade Federal do Paraná
Mestrado e Doutorado Interdisciplinar em Gestão da Informação
ISSN: 2237-826X
Qualis (2013-2016):
B2 - Comunicação e Informação
B4 - Planejamento Urbano e Regional/Demografia; Saúde Coletiva; Interdisciplinar
B5 - Arquitetura, Urbanismo e Design; Engenharias III
Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciada sob uma Licença
Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 3.0 Não Adaptada