Defesa cognitiva e soberania informacional: o papel dos algoritmos na difusão de desinformação no processo eleitoral

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/am.v31i1.102706

Resumo

O artigo examina o papel dos algoritmos de recomendação das plataformas digitais na amplificação da desinformação durante processos eleitorais, com atenção especial a seus efeitos sobre a vulnerabilidade cognitiva dos cidadãos. A partir do episódio da fake news divulgada pelo então candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal nas eleições de 2024, à publicação de um atestado médico atribuindo o uso de drogas pelo adversário Guilherme Boulos, discute-se como a arquitetura algorítmica das plataformas favorece a circulação de conteúdos falsos, emocionalmente carregados e de alto potencial viral, contribuindo para a formação de ambientes informacionais assimétricos e de baixa reflexividade crítica. Observa-se, a partir do estudo de caso analisado, que a articulação entre arquitetura algorítmica, apelos emocionais e vulnerabilidades cognitivas conforma um vetor estrutural de ameaça à soberania informacional e à integridade dos processos democráticos.

Biografia do Autor

Mercia Alves, UFSCAR

Doutora em Ciência Política e Pesquisadora do CEBRAP. Email: merciaallves@gmail.com.

Vanessa Marques , IDP

Jornalista e mestre em Comunicação Digital pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e também pela Universidade de Valência, na Espanha. Pesquisadora no Grupo de pesquisa Informação Pública e Eleições (IPÊ) da Universidade de Brasília (UNB). Email:: marquescastrov@gmail.com.

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

Alves, M., & Marques, V. (2026). Defesa cognitiva e soberania informacional: o papel dos algoritmos na difusão de desinformação no processo eleitoral. Ação Midiática – Estudos Em Comunicação, Sociedade E Cultura, 31(1). https://doi.org/10.5380/am.v31i1.102706

Edição

Seção

Dossiê “Desinformação e os Desafios Contemporâneos da Comunicação”