Defesa cognitiva e soberania informacional: o papel dos algoritmos na difusão de desinformação no processo eleitoral
DOI:
https://doi.org/10.5380/am.v31i1.102706Resumo
O artigo examina o papel dos algoritmos de recomendação das plataformas digitais na amplificação da desinformação durante processos eleitorais, com atenção especial a seus efeitos sobre a vulnerabilidade cognitiva dos cidadãos. A partir do episódio da fake news divulgada pelo então candidato à prefeitura de São Paulo Pablo Marçal nas eleições de 2024, à publicação de um atestado médico atribuindo o uso de drogas pelo adversário Guilherme Boulos, discute-se como a arquitetura algorítmica das plataformas favorece a circulação de conteúdos falsos, emocionalmente carregados e de alto potencial viral, contribuindo para a formação de ambientes informacionais assimétricos e de baixa reflexividade crítica. Observa-se, a partir do estudo de caso analisado, que a articulação entre arquitetura algorítmica, apelos emocionais e vulnerabilidades cognitivas conforma um vetor estrutural de ameaça à soberania informacional e à integridade dos processos democráticos.
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