Bandeirantismo cibernético e o arrivismo político de Pablo Marçal

Autores

Resumo

O estudo de caso analisa a campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo em 2024, como exemplo de estratégia comunicacional populista híbrida a partir de uma leitura midiática de sua campanha e da forma como ela foi enquadrada, amplificada e disputada nos meios de comunicação tradicionais e digitais. O artigo explora como o uso de polêmicas performáticas, desinformação e narrativa antissistêmica em plataformas digitais maximizou sua visibilidade e seu prestígio político, com votos que quase o levaram ao segundo turno. Apesar da derrota eleitoral, por margem estreita, mas com capital político valorizado, obteve uma vitória de Pirro política, pois foi considerado inelegível em consequência da estratégia comunicacional heterodoxa que operou no limite da legalidade e explorou desordens informacionais e abuso de poder econômico. O caso evidencia a obsolescência dos marcos regulatórios e os sérios desafios da neopolítica populista digital para a democracia.

Biografia do Autor

Aryovaldo de Castro Azevedo Junior, UFPR

Doutor em Multimeios pela Universidade de Campinas (Unicamp) com pós-doutorado em Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Email: castroazevedo@ufpr.br

Bruno Branco Pessanha Lopes, Universidade Federal do Paraná

Pós-graduado em Big Data e Inteligência Analítica pela Faculdade Metropolitana e graduado em Tecnologia da Informação pelo Centro Universitário UniDomBosco. Email: brunobrancopl@gmail.com

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Publicado

2026-02-12

Como Citar

de Castro Azevedo Junior, A., & Branco Pessanha Lopes, B. (2026). Bandeirantismo cibernético e o arrivismo político de Pablo Marçal. Ação Midiática – Estudos Em Comunicação, Sociedade E Cultura, 31(1). Recuperado de https://revistas.ufpr.br/acaomidiatica/article/view/101341

Edição

Seção

Dossiê “Desinformação e os Desafios Contemporâneos da Comunicação”