Open Journal Systems

ANÁLISE DA RELAÇÃO HOMEM-ÁGUA: A PERCEPÇÃO AMBIENTAL DOS MORADORES LOCAIS DE CACHOEIRA DE EMAS – SP, BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO MOGI-GUAÇU.

Vinicius Perez Dictoro, Frederico Yuri Hanai

Resumo


Na sociedade atual, a água passou a ser vista como recurso hídrico em um sentido utilitarista, e não mais como um bem natural disponível simbolicamente e culturalmente. Tem se visto poucos estudos que analisam o papel que a água teve e ainda têm na cultura e identidade das sociedades. A pesquisa objetivou identificar e analisar as possíveis relações que uma comunidade ribeirinha (Cachoeira de Emas-SP, localizado às margens do rio Mogi-Guaçu) possui com o rio, identificando a sua percepção ambiental sobre a conservação da água. A pesquisa realizou um estudo de caso para expor o processo investigado e os resultados decorrentes da análise do problema. Para a realização do estudo, foi aplicado um roteiro de entrevista como instrumento de pesquisa, buscando-se identificar as principais relações que esses moradores possuem com a água e sua percepção sobre alguns aspectos relacionados ao seu uso. A pesquisa mostrou a existência de diversas relações (não somente utilitarista) dos moradores ribeirinhos com o rio através de entrevistas, revelando que a água é elemento fundamental para sua vida, tanto para uso e consumo como para suas relações simbólicas (respeito, admiração, sentimentalismo, religiosa, mística, saúde, sobrevivência, conservação). A pesquisa proveu recomendações para o uso responsável da água, subsidiando ações de sensibilização para sua conservação, para a valorização dos rios, e para a manutenção das diversas relações do homem com a água.


Palavras-chave


espaço geográfico;

Texto completo:

ARTIGO AUTORIZAÇÃO

Referências


BACCI, D. de La C.; PATACA, E. M. Educação para a água.EstudosAvançados, São Paulo, v. 22, n. 63, p. 211 –226, 2008.

BERNARD, H. R. Research methods in cultural anthropology. Newbury Park: Sage Publications, 1988. 520 p.

BONI, V.; QUARESMA, J. Aprendendo a entrevistar: como fazer entrevistas em Ciências Sociais. Tese –Revista eletrônica dos pós-graduandos em sociologia política da UFSC. Santa Catarina, v. 2, n. 1, p. 68 –80,2005.

CABRAL, D. de C. Águas passadas: sociedade e natureza no rio de janeiro oitocentista.RA ́E GA-O Espaço Geográfico em Análise, Curitiba, v. 23, p. 159 –190, 2011.

DIEGUES, A.C.(Org). A imagem das águas. Hucitec/Nupaub, SP. 2000. 318p.

DIEGUES, A.C.Água e cultura nas populações tradicionais brasileiras. 2007. Disponível em: . Acesso em: 1 Set 2014.

DORIA, C. R. da C.; LIMA, M. A. L.; SANTOS, A. R. dos.; SOUZA, S. T. B. de.;SIMÃO, M. O. A. R.; CARVALHO, A. R. O uso do conhecimento ecológico tradicional de pescadores no diagnóstico dos recursos pesqueiros em áreas de implantação de grandes empreendimentos. Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba, v. 30, p. 89 –108, 2014.

FERREIRA, D. T. A. M.; MARQUES, E. E.; BUENAFUENTE, S. M. F.; SOUZA, L. B.; GRISON, M. da. G.; LIMA, A. M. T. de. Perdas simbólicas e os atingidos por barragens: o caso da Usina Hidrelétrica de Estreito, Brasil.Desenvolvimento e Meio Ambiente, Curitiba,v. 30, p. 73 –87, 2014.

FERREIRA, M. S. F. D. Lugar, recursos e saberes dos ribeirinhos do médio rio Cuiabá, Mato Grosso.2010. Tese(Doutorado em Ciências Biológicas) –Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos-SP.

FERREIRA, M. S. F. D.; SILVA, C. J. da. Baía Chacoré –lugar para Educação Ambiental. In: SILVA, C. J. da.; SIMONI, J. Água, biodiversidade e cultura do Pantanal: estudos ecológicos e etnobiológicos no sistema de Baías Cachoroné: Sinhá Mariana. Cáceres: Ed. UNEMAT. 2012.p. 199 –206.

FLICK, U. Desenho da pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed, 2009.GONÇALVES, B. V.; GOMES, L. J. Percepção ambiental de produtores rurais na recuperação florestal da sub-bacia hidrográfica do rio Poxim –Sergipe.Desenvolvimento e Meio Ambiente,Curitiba, v. 29, p. 127 –138, 2014.

GRATÃO, L. H. B. O “olhar” a cidade pelos “olhos” das águas.Geografia, Rio Claro, v. 33, n. 2, p. 199 –216, 2008.

HANNIGAN, J. A.; Sociologia Ambiental: a formação de uma perspectiva social.Instituto Piaget, Lisboa, 1995.

HOEFFEL, J. L.; FADINI, A. A. B. Percepção Ambiental.In: Encontros e Caminhos: Formação de Educadoras(es) Ambientais e Coletivos Educadores. Brasília: MMA, Departamento de Educação Ambiental, Vol 2. 2007. 253 –262 p.

LEFF, E. Complexidade, racionalidade ambiental e diálogo de saberes. Revista Educação & Realidade. Porto Alegre, v. 34, n. 3, p. 17 –24. 2009.

MACHADO, C. J. S. Recursos Hídricos e Cidadania no Brasil: Limites, Alternativas e Desafios.Ambiente & Sociedade, São Paulo, v. VI, n. 2,p. 121 –136, 2003.

OESTIGAARD, T. Water, Culture and Identity: Comparing past and present traditions in the Nile Basin region. Bergen: BRIC Press. 272 p. 2009.

PEREIRA, B. E.; DIEGUES, A. C. Conhecimento depopulações tradicionais como possibilidade de conservação da natureza: uma reflexão sobre a perspectiva da etnoconservação. Desenvolvimento e Meio Ambiente,Curitiba, v. 22, p. 37 –50, 2010.

PIVELLO, V. R. PECCININI, A. A.; CARVALHO, V. M.; LOPES, P. F. O uso do solo na região da Reserva Biológica do Cerrado de Emas (Pirassununga, SP) e seu atual papel como unidade de conservação.In: CONGRESSO DE ECOLOGIA DO BRASIL, 3, 1997, Brasília: Depto. De Ecologia da Universidade de Brasília, 1997, p. 286 –294.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3 ed. São Paulo: Editora Atlas. 2012.

SAUVÉ, L. Educação Ambiental: possibilidades e limitações. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 317-322,2005.

SILVA, R. V. da.; SOUZA, C. A. de.; BAMPI, A. C. Os olhares dos pescadores profissionais e proprietários comerciais, sobre o Rio Paraguai em Cáceres, Mato Grosso. Revista Brasileira de Ciências Ambientais, São Paulo, n.32, p. 24 –41,2014.

TUAN, Y. Topofília: um estudo da percepção, atitudes e valores do Meio Ambiente.Difusão Editorial S.A. 1980. 288p.