Condutas mal-adaptativas e as características psicológicas de policiais militares que perderam o porte de arma
DOI:
https://doi.org/10.5380/riep.v30i1.93671Palavras-chave:
personalidade, Rorschach, avaliação psicológica, porte de arma, militares.Resumo
Estudos prévios têm abordado questões de saúde mental e adoecimento psíquico no contexto da segurança pública. No entanto, a investigação das características psicológicas de policiais militares que apresentaram condutas mal-adaptativas e perderam o porte de arma permanece escassa. O objetivo deste estudo documental foi investigar as características psicológicas comuns entre um grupo de 10 policiais militares. Foram utilizados instrumentos para avaliar personalidade, atenção concentrada, memória visual, planejamento e execução. Os resultados revelaram prejuízos cognitivos, dificuldades na percepção da realidade, julgamento crítico comprometido, impulsividade e problemas nas interações interpessoais no grupo examinado. Esses aspectos parecem estar ligados às condutas mal-adaptativas e, consequentemente, à revogação do porte de arma. Este estudo levanta algumas hipóteses para a compreensão dos fatores subjacentes a tais comportamentos, permitindo a identificação de possíveis indicadores psicológicos, traços de personalidade ou influências contextuais que possam estar relacionados a essas condutas no grupo específico estudado. Apesar de se tratar de uma pequena amostra estadual que limita a generalização dos resultados, os achados contribuem para avaliações de porte arma, práticas de seleção, treinamento e acompanhamento psicológico, promoção da saúde mental, prevenção de comportamentos mal-adaptativos e na construção de uma relação de confiança entre as forças policiais e a comunidade.
Referências
Ales, F., Giromini, L., & Zennaro, A. (2020). Complexity and Cognitive Engagement in the Rorschach Task: An Eye-Tracking Study, Journal of Personality Assessment, 102(4), 538-550. https://doi.org/10.1080/00223891.2019.1575227
Almeida, K., Holanda, K. R. A. B., Lago, T. M., & De Souza, S. M. (2022). Avaliação psicológica compulsória no porte de armas de fogo. Revista Cereus, 14(2), 278-292. http://doi.org/10.18605/2175-7275/cereus.v14n2p278-292
Andrade, S. M., Dias, M. M. C. D. B. D. S., Oliveira, E. A. D., Locks Neto, F., Nogueira, R. M. T. B. L., & Santos, N. A. D. (2012). Construção e evidências psicométricas de uma escala de avaliação da percepção visual. Psicologia: Reflexão e Crítica, 25, 21-29. https://doi.org/10.1590/S0102-79722012000100004
Bartol, C.R. (1991). Predictive validity of the MMPI for small-town police officers who fail. Professional Psychology: Research and Practice, 2, 127-132. https://doi.org/10.1037/0735-7028.22.2.127
BBC Brasil (2016). Por que os policiais se matam: pesquisa traz números e relatos de suicídios de PMs. Notícias, 2016. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/03/160322_policiais_suicidios_fe_if
Beato, C. Filho., & Ribeiro, L. (2016). Discutindo a reforma das polícias no Brasil. Civitas: Revista De Ciências Sociais, 16(4), e174-e204. https://doi.org/10.15448/1984-7289.2016.4.23255
Boyette, L.-L., & Noordhof, A. (2021). A commentary on “Developments in the Rorschach assessment of disordered thinking and communication” (Kleiger & Mihura, 2021). Rorschachiana, 42(2), 281–288. https://doi.org.ez41.periodicos.capes.gov.br/10.1027/1192-5604/a000145
Brasil. Ministério da Justiça. Departamento da Polícia Federal (DPF). Instrução Normativa nº 78/2014, de 5 de março de 2014. http://www.normaslegais.com.br/legislacao/in-dpf-78-2014.htm
Bridgett, D. J., Oddi, K. B., Laake, L. M., Murdock, K. W., & Bachmann, M. N. (2013). Integrating and differentiating aspects of self-regulation: Effortful control, executive functioning, and links to negative affectivity. Emotion, 13(1), 47-63. https://doi.org/10.1037/a0029536
Buchanan, G., Stephens, C., & Long, N. (2001). Traumatic experiences of new recruits and serving police. The Australasian Journal of Disaster and Trauma Studies. https://psychlab.massey.ac.nz/trauma/issues/2001-2/buchanan.htm
Caires, C. S., Rocha, J. B., Souza, N. R., & de Melo, L. G. M. (2022). Avaliação Psicológica para o Porte de Arma: Práxis e Aspectos Conceituais. Uniciências, 26(1), 42-50. https://doi.org/10.17921/1415-5141.2022v26n1p42-50
Caneda, C. R. G., & Teodoro, L. M. L. (2012). Contribuições da avaliação psicológica ao porte de arma: Uma revisão de estudos brasileiros. Aletheia, (38-39), 162-172. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-03942012000200013&lng=pt&tlng=pt
Cicchetti, D. V. (1994). Guidelines, criteria and rules of thumb for evaluating normed and standardized assessment instruments on psychology. Psychological Assessment, 6(4), 284-290. http://doi.org/10.1037/1040-3590.6.4.284
Conselho Federal de Psicologia. Regulamenta a Avaliação Psicológica para concessão de registro e porte de arma de fogo. Resolução N°1, de 21 de Janeiro de 2022. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-n-1-de-21-de-janeiro-de-2022-376060371
Cruz, V. L. P. da, Toni, P. M. de, & Oliveira, D. M. de. (2017). As funções executivas na figura complexa de Rey: Relação entre planejamento e memória nas fases do teste. Boletim de Psicologia, 61(134), 17-30. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S000659432011000100003&lng=pt&tlng=pt
Exner, J. E., & Sendín, C. (1999). Manual de Interpretação do Rorschach para o Sistema Compreensivo. (L.Y. de Massuh, Trad.). Casa do Psicólogo.
Falkenbach, D. M., Glackin, E., & McKinley, S. (2018). Twigs on the same branch? Identifying personality profiles in police officers using psychopathic personality traits. Journal of Research in Personality,76, 102–112. https://doi.org/10.1016/J.JRP.2018.08.002
Gomes, D. A. R., de Araújo, R. M. F., & Gomes, M. S. (2018). Incidence of suicide among military police officers in South Brazil: An 11-year retrospective cohort study. Comprehensive psychiatry, 85, 61-66. https://doi.org/10.1016/j.comppsych.2018.06.006
Guedes, C. D. F. (2009). Investigação da impulsividade pela Prova de Rorschach em policiais militares do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Pará. [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Pará].https://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/5166
Hong, R. Y., & Paunonen, S. V. (2009). Personality traits and health-risk behaviours in university students. European Journal of Personality, 23(8), 675–696. https://doi.org/10.1002/per.736
Inslicht, S. S., McCaslin, S. E., Metzler, T. J., Henn-Haase, C., Hart, S. L., Maguen, S., & Marmar, C. R. (2010). Family psychiatric history, peritraumatic reactivity, and posttraumatic stress symptoms: A prospective study of police. Journal of Psychiatric Research, 44(1), 22-31 https://doi.org/10.1016/j.jpsychires.2009.05.011
Jollant, F., Lawrence, N. L., Olié, E., Guillaume, S., &Courtet, P. (2011). The suicidal mind and brain: a review of neuropsychological and neuroimaging studies. The world journal of biological psychiatry: the official journal of the World Federation of Societies of Biological Psychiatry, 12(5), 319–339. https://doi.org/10.3109/15622975.2011.556200
Kivisalu, T. M., Lewey, J. H., Shaffer, T. W., & Canfield, M. L. (2016). An investigation of interrater reliability for the Rorschach Performance Assessment System (R–PAS) in a nonpatient U.S. sample. Journal of Personality Assessment, 98, 382–390. https://doi.org/10.1080/00223891.2015.1118380
Koepfler, J., Brewster, J., Stoloff, M. et al. (2012). Predicting Police Aggression: Comparing Traditional and Non-Traditional Prediction Models. Journal of Police and Criminal Psychology, 27, 141–149. https://doi.org/10.1007/s11896-012-9101-y
Lima, F. P. D., Blank, V. L. G., & Menegon, F. A. (2015). Prevalência de transtorno mental e comportamental em policias militares/SC, em licença para tratamento de saúde. Psicologia: Ciência e Profissão, 35, 824-840. https://doi.org/10.1590/1982-3703002242013
Loya, K.M., Peskosky, E.C., &Jacquin, K.M. (2022). Predictive Validity of MMPI-2 Immaturity Index for Early Termination of Police Officers. Journal of Police and Criminal Psychology, 37, 222-228. https://doi.org/10.1007/s11896-022-09499-6
Luvezute, R. M., Scheller, M., Bonotto, &Biembengut, M. S. (2015). Pesquisa Documental: considerações sobre conceitos e características na Pesquisa Qualitativa. In Atas do 4° Congresso Ibero – Americano em Investigação Qualitativa(CIAIQ2015) (Vol. 2). Ludomedia. https://proceedings.ciaiq.org/index.php/ciaiq2015/index
Matsuda, R. (2019). Multiple emotion regulation in Rorschach color responses: A study using IAT and self-report. Rorschachiana, 40(2), 112–130. https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000116
Mazariolli, S., & Villemor-amaral, A. E. (2021). O psicodiagnóstico de Rorschach na avaliação de ansiedade, autopercepção e autoestima em policiais militares. Coleção Conde dos Arcos - Segurança Pública 14(1). https://doi.org/10.29377/rebesp.v14i1.560
Meyer, G. J. (2016). Neuropsychological factors and Rorschach performance in children. Rorschachiana, 37(1), 7–27. http://dx.doi.org/10.1027/1192-5604/a000074
Meyer, G. J., Viglione, D. J., Mihura, J. L., Erard, R. E., & Erdberg, P. (2017). Rorschach sistema de avaliação por desempenho manual de aplicação codificação e interpretação e manual técnico (Silva Rodrigues, D., & Miguel Koich, F. (Ed. e Trad, 1st ed.). Hogrefe.
Mehta, U. M., Bhagyavathi, H. D., Thirthalli, J., Kumar, K. J., &Gangadhar, B. N. (2014). Neurocognitive predictors of social cognition in remitted schizophrenia. Psychiatry research, 219(2), 268–274. https://doi.org/10.1016/j.psychres.2014.05.055
Minayo, M. C. S.; Souza, E. R., & Constantino, P. (2008). Missão prevenir e proteger: condições de vida, trabalho e saúde dos policiais militares do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil: FIOCRUZ. https://static.scielo.org/scielobooks/y28rt/pdf/minayo-9788575413395.pdf
Moraes, A. T. P. (2021). Variabilidade Comportamental e Impulsividade em Alcoolistas e Tabagistas. [Dissertação de Mestrado em Ciências do Comportamento, Universidade de Brasília]. https://www.cdc.unb.br/images/Dissertacao_Ana_Terra__Versao_Pos_Defesa__180121.pdf
Moraes, A. J. J. (2022). Avaliação da capacidade de autorregulação emocional em pacientes psiquiátricos: Sob a perspectiva das funções executivas quentes. [Dissertação de Mestrado, Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo]. http://doi.org/ 10.11606/D.47.2022.tde-04072022-174056
Mrevlje, T. P. (2018). Police trauma and Rorschach indicators. Rorschachiana,39.https://doi.org/10.1027/1192-5604/a000097
Muniz., M., & Primi., R. (2007). Inteligência emocional e desempenho em policiais militares: validade de critério do MSCEIT. Aletheia, 25, 66-81. http://pepsic.bvsalud.org/pdf/aletheia/n25/n25a06.pdf
Oliveira, M. S., & Rigoni, M. S. (2010). Figuras complexas de Rey: Teste de cópia e de reprodução de memória de figuras geométricas complexas. Casa do Psicólogo.
Pellini, M. C. B. M. (2006). Indicadores do método de Rorschach para avaliação da maturidade emocional para porte de arma de fogo [Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, Instituto de Psicologia, São Paulo, SP, Brasil]. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-11072007-233948/en.php
Pianowski, G., Meyer, G. J., de Villemor-Amaral, A. E., Zuanazzi, A. C., & doNascimento, R. (2021). Does the Rorschach Performance Assessment System (R-PAS) Differ from the Comprehensive System (CS) on Variables Relevant to Interpretation? Journal of Personality Assessment, 103(1), 132–147. https://doi.org/10.1080/00223891.2019.1677678
Pogarsky, G., & Piquero, A. R. (2004). Studying the research on deterrence: Can deterrence theory help explain police misconduct? Journal of Criminal Justice, 32, 371-386. https://doi.org/10.1016/j.jcrimjus.2004.04.007
Pueyo, (2004). Evaluación de la impulsividad y el riesgo en el uso de armas de fuego en las policías y fuerzas de seguridad. Revista Catalana de Seguridad Pública, 0(14), 63-77–77. https://www.raco.cat/index.php/RCSP/article/view/
Rabelo, I. S., & Mazariolli, A. (2019). Avaliação cognitiva de policiais militares e universitários em medidas padronizadas de memória, atenção e inteligência. Revista Meta Avaliação, 11(32), 468. http://dx.doi.org/10.22347/21752753v11i32.1975
Rueda, F. J. M. (2013). Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (1st ed.). Vetor.
SATEPSI (2021). Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos. Lista de testes favoráveis. https://satepsi.cfp.org.br/
Schneider, A. M. de A., Bandeira, D. R., & Meyer, G. J. (2020). Rorschach Performance Assessment System (R-PAS) interrater reliability in a Brazilian adolescent sample and comparisons with three other studies. Assessment. https://doi.org/10.1177/1073191120973075
Sousa, A. B., & Salgado, T. D. M. (2015). Memória, aprendizagem, emoções e inteligência. Revista Liberato, 16(26), 141-152. http://doi.org/10.31514/rliberato.2015v16n26.p141
Souza, E. R. D., Minayo, M. C. D. S., Silva, J. G. E., & Pires, T. D. O. (2012). Fatores associados ao sofrimento psíquico de policiais militares da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 28(7), 1297-131. https://doi.org/10.1590/S0102311X2012000700008
Steinert, S. W., Daugherty, A. M., Shankar, S., Schwarb, H., Cerjanic, A., Sutton, B. P. &Arble, E. P. (2021). A performance-based measure of emotion response control: A preliminary MRI study. Scandinavian journal of psychology, 62(3), 321–327. https://doi.org/10.1111/sjop.12705
Tomazeli, A. (2021). Saúde mental dos policiais militares: uma análise quantitativa dos fatores associados. [Trabalho de conclusão de curso, Universidade Federal da Fronteira Sul]. https://rd.uffs.edu.br/bitstream/prefix/5024/1/ALESSANDRA%20TOMAZELI.pdf
Vagostello, L., Silva, F. F., & Nascimento, R. S. G. F. (2004). Considerações preliminares sobre a avaliação psicológica em situações de porte de arma de fogo. In C. E. Vaz, & R. L. Graeff (Orgs.), Congresso Nacional de Rorschach e Métodos Projetivos:Técnicas projetivas: Produtividade em pesquisa (Vol. 3, pp. 471-474). Supernova.
Winter, Lilian Ester, & Alf, Alexandra Machado. (2019). A profissão do policial militar: vivências de prazer e sofrimento no trabalho. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, 19(3), 671-678. https://dx.doi.org/10.17652/rpot/2019.3.1321
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Denise Bischoff Portella Conceição, Adriana Jung Serafini, Andreia Melo de Almeida Schneider

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A aprovação dos artigos implica a aceitação imediata e sem ônus de que a revista Interação em Psicologia terá exclusividade na primeira publicação do artigo. Os autores continuarão, não obstante, a deter os direitos autorais para publicações posteriores. No caso de republicação dos artigos em outros veículos, exige-se a menção à primeira publicação na revista Interação em Psicologia. Os autores autorizam também que seus artigos sejam disponibilizados em todos os indexadores aos quais a revista está vinculada.
A Comissão Editorial não se responsabiliza pelos conceitos ou afirmações expressos nos trabalhos publicados, que são de inteira responsabilidade dos autores.
A revista Interação em Psicologia oferece acesso livre imediato ao seu conteúdo, seguindo o entendimento de que disponibilizar gratuitamente o conhecimento científico ao público proporciona maior democratização do conhecimento e tende a produzir maior impacto dos artigos publicados. Os artigos publicados na revista são disponibilizados segundo a Licença Creative Commons CC-BY-NC 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/). Segundo essa licença é permitido acessar, distribuir e reutilizar os artigos para fins não comerciais desde que citados os autores e a fonte. Ao submeter artigos à revista Interação em Psicologia, os autores concordam em tornar seus textos legalmente disponíveis segundo essa licença.
