UMA MELANCOLIA POLÍTICA NA ERA DO PÓS-COMUNISMO. A EXTINÇÃO DAS PAIXÕES POLÍTICAS EM FRANÇOIS FURET

Christophe Prochasson

Resumo


Historiador da Revolução Francesa, François Furet (1927-1997) dedicou-se, a partir da década de 70, a uma nova interpretação deste evento histórico. Ao contrário de uma historiografia dominada por uma abordagem de história econômica e social, a historiografia de Furet sustenta-se em uma leitura política, mobilizando vários escritores do século XIX, a começar por Alexis de Tocqueville. Em seus rastros, ele foi gradualmente levado a conceder às “paixões” políticas seu devido lugar. Voltando-se para a história da ideia comunista, ele dedicou, nas décadas de 1980 e 1990, um papel crescente para a questão das emoções ou dos sentimentos na história política. Depois de tentar identificar em Furet os significados que o historiador atribui a um léxico (“emoções”, “sentimentos”, “paixões”, “ideologia”, “ilusão”) que ele mesmo por vezes emprega com uma certa confusão, o artigo tenta desvendar a implementação de uma análise do político que atribui às “paixões” um papel central, sem todavia recair no psicologismo. 

Historien de la Révolution française, François Furet (1927-1997) s’est engagé, à partir des années 1970, dans une nouvelle interprétation de celle-ci. A l’encontre d’une historiographie dominée par une approche 

relevant de l’histoire économique et sociale, Furet s’en tient à une lecture politique, mobilisant plusieurs auteurs du XIXe siècle, à commencer par Alexis de Tocqueville. Dans leur sillage, il fut peu à peu conduit à accorder aux « passions » politiques toute leur place. S’étant tourné vers l’histoire de l’idée communiste, il accorda dans les années 1980 et 1990 une place grandissante à la question des émotions ou des sentiments dans l’histoire politique. Après avoir tenté de cerner chez Furet les significations que l’historien assigne à un lexique (« émotions », « sen- timents », « passions », « idéologie », « illusion ») qu’il utilise parfois dans une certaine confusion, l’article s’efforce de mettre au jour la mise en œuvre d’une analyse du politique qui attribue aux « passions » une place centrale, sans pour autant verser dans le psychologisme. 



Palavras-chave


paixões; emoções; comunismo; revolução; democracia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/his.v59i2.37033

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