Efeito do turno de trabalho em variáveis ergonômicas nos postos de trabalho de máquinas de colheita da madeira
DOI:
https://doi.org/10.5380/rf.v56i1.97661Palavras-chave:
exposição ocupacional, mecanização, fatores humanos, segurança do operador, operações florestaisResumo
Para aumentar a produtividade, empresas florestais brasileiras têm adotado o trabalho em turnos, incluindo operações noturnas, muitas vezes sem compreender plenamente os riscos ergonômicos em condições reais de operação. Este estudo avaliou o efeito dos turnos de trabalho sobre variáveis ergonômicas em postos de trabalho de máquinas, em povoamentos de eucalipto na região Sul do Brasil. Os dados foram coletados durante operações de corte, extração e processamento da madeira, utilizando feller buncher, grapple skidder e processador harvester, nos turnos diurno e noturno. A vibração de corpo inteiro foi avaliada conforme a NHO 09, o ruído e o conforto térmico com base nas NR 15 e NR 17, e a visibilidade segundo a diretriz ergonômica da Skogforsk, com comparação aos limites da legislação brasileira. Os resultados mostraram que os riscos ergonômicos foram mais influenciados pelo tipo de máquina e pelas condições operacionais do que pelo turno isoladamente. Diferenças entre turnos estiveram relacionadas a variações na condução da máquina, influenciadas pela visibilidade, velocidade de deslocamento e condições do terreno. O grappler skidder apresentou as condições mais críticas, com vibração de até 1,62 m/s² e ruído de até 89 dB(A), acima dos limites recomendados. Além disso, maiores movimentos laterais da cabeça indicaram redução da visibilidade, especialmente à noite. Conclui-se que os riscos ergonômicos na colheita mecanizada da madeira são determinados principalmente pelas exigências operacionais, reforçando a necessidade de melhorias no projeto das máquinas, na manutenção e na organização do trabalho.
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