Variabilidade espacial e temporal na detecção de focos de queima no estado do Mato Grosso, Brasil
DOI:
https://doi.org/10.5380/rf.v56i1.101014Palavras-chave:
Wildland fires, nature conservation, remote sensingResumo
A queima da vegetação constitui uma das principais fontes de emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. O monitoramento da variabilidade espaço-temporal de focos de queima por satélites ambientais pode ser utilizado no desenvolvimento estratégico de prevenção ao fogo. Os objetivos deste estudo foram analisar a variabilidade espaço-temporal na detecção de focos de queima no estado de Mato Grosso e determinar as variáveis correlacionadas com a detecção a nível municipal. Para tal, foram coletados dados de focos de queima dos satélites AQUA e Suomi-NPP (S-NPP) que foram quantificados por município e correlacionados com 11 variáveis independentes. A média anual de focos foi de 38.646 pelo satélite AQUA (2003 a 2023), e de 127.992 pelo S-NPP (2013 a 2023). Durante o período de sobreposição, o S-NPP detectou 4,7 vezes mais do que o AQUA. Apesar da diferença, ambos os dados apresentaram correlação significativa. Setembro foi o mês com maior registro de focos. Colniza foi o município com o maior número de detecções, enquanto Itanhangá e Nova Nazaré registraram a maior densidade de focos pelos satélites AQUA e S-NPP, respectivamente. Dos 141 municípios, 133 foram classificados com incidência de fogo extrema ou muito alta. O desflorestamento da vegetação primária foi a variável que apresentou maior correlação com a densidade municipal de focos de queima. Os resultados podem servir para o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à redução de incêndios e queimadas no estado.
Keywords: Wildland fires; remote sensing; nature conservation.
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