“Eliminar o pior é mais humano do que buscar o bem”
problemas de uma “práxis otimista” e esboço de emancipação anti-otimista a partir da Teoria Crítica tardia de Horkheimer
DOI:
https://doi.org/10.5380/dp.v22i3.99483Palavras-chave:
Teoria Crítica, Max Horkheimer, Negação, Pessimismo, Práxis emancipatóriaResumo
O artigo parte da acusação de Habermas de que Horkheimer teria sido improdutivo em sua fase tardia, fazendo as tarefas da Teoria Crítica dependerem da teologia e se tornando “um filósofo da história demasiado negativista, um crítico da razão demasiado radical”. Diante disso, procura delinear, em especial a partir de uma análise de Notizen (Apontamentos) como produção derradeira de Horkheimer que Habermas despreza por não ser sistemática, conteúdos do que proponho chamar de elementos de emancipação anti-otimista. O objetivo principal do estudo é, assim, mostrar em que consistem esses elementos, que não indicariam apenas práticas de solidariedade em sentido amplo e como conceito negativo – estendido, inclusive, à esfera de uma “política negativa” –, mas performariam tudo o que pode caber em uma práxis que, conforme lemos em um dos fragmentos de Notizen, não pretende “buscar o bem”, mas “eliminar o pior”. Para tanto, sugiro que é preciso considerar a controversa presença do par pessimismo-otimismo em Horkheimer, que nem sempre é empregado em sentido estritamente schopenhaueriano; e, em particular, como se pode compreender a recomendação do fundador da Escola de Frankfurt de um pessimismo teórico complementado por um otimismo prático ou por uma “práxis otimista”.
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