Reflexividade e Implicação de um “Pesquisador-Nativo” no Campo da Saúde Mental: sobre o dilema de pesquisar os próprios “colegas de trabalho"

Martinho Braga Silva

Resumo


A partir das considerações de P. Bourdieu sobre a reflexividade reflexa e a objetivação participante e de R. Lourau sobre a análise das implicações, procuro examinar a posição de um psicólogo ao investigar uma equipe de saúde mental, no sentido de produzir conhecimento sobre a atividade de pesquisa em situações nas quais o pesquisador, assim como eu, também é nativo. No contexto de um estudo sobre o atendimento a portadores de transtorno mental, conduzi entrevistas com profissionais, li prontuários e registrei reuniões de equipe em um serviço público de saúde enquanto trabalhava em outro, muitas vezes dividido entre duas posturas: uma mais consolidada, de defesa do ponto de vista do movimento antimanicomial, outra em formação, de estranhamento dos princípios e dos valores desse mesmo movimento. Emergia da leitura dos prontuários uma dimensão propriamente administrativa das práticas: o fato de o registro contribuir justamente para, ao citá-los, vincular familiares e vizinhos ao serviço.


Palavras-chave


ética; trabalho de campo; saúde mental; reflexividade

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cam.v8i2.8154

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