O meio de ter ideias imprevistas: Lévi-Strauss, fichas e fichários

Luísa Valentini

Resumo


Lévi-Strauss fala sobre o uso de fichas e fichários como artefatos mediadores  de sistematizações antropológicas desde a sua vinda a São Paulo em 1935 até a fundação do Laboratório de Antropologia Social em 1960. Suas diferentes figurações deste artefato de papel oferecem uma perspectiva rica sobre a produção do saber antropológico, de suas modalidades de hipotetização e teste, e de sua institucionalidade, e figuram a ele, reciprocamente, não apenas como grande autor, mas como homem de instituição. Uma aproximação à noções peircianas de signo e de abdução permite, ainda, vislumbrar uma abordagem genética sobre o conhecimento antropológico, e convidar à consideração do uso de artefatos de papel na produção da evidenciação e do rigor na disciplina.


Palavras-chave


Lévi-Strauss, artefato, história da antropologia, culturalismo, estruturalismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cra.v18i1-2.56747

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