O Manejo da Cidadania e a Democracia do Cuidado

Lecy Sartori

Resumo


Neste artigo procuro expor o modo de funcionamento de uma nova tecnologia de cuidado colocada em prática pelos profissionais do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Esperança, na região leste de Campinas - SP. Para isso, apresento as reflexões dos profissionais acerca de suas práticas e descrevo as relações democráticas que orientam a atuação do profissional na invenção de cuidados, que não se resumem às intervenções médicas. Além disso, analiso como se configura a dinâmica de funcionamento das práticas democráticas e o modo de organização do cuidado operacionalizado pela prática da escuta terapêutica e pelo uso da medicação. Por fim, descrevo como os profissionais conceitualizam suas experiências ao explicar a participação dos usuários como parceiros na elaboração dos seus projetos terapêuticos.

Palavras-chave


práticas de cuidado; relações de poder; política; CAPS; Campinas.

Texto completo:

PDF

Referências


ANDREOLI, S. B. et al. 2007. “Is psychiatric reform a strategy for reducing the mental health budget? The case of Brazil”. Revista Brasileira de Psiquiatria 29(1). https://doi.org/10.1590/S1516-44462006005000032

AMARANTE, P. 1995a. “Novos Sujeitos, Novos Direitos: O Debate em Torno da Reforma Psiquiátrica”. Cad. Saúde Pública 11(3). https://doi.org/10.1590/S0102-311X1995000300024

AMARANTE, P. 1995b. Loucos pela vida – a trajetória da reforma psiquiátrica no Brasil. Rio de Janeiro: Fiocruz.

BALANDIER, G. 1969. Antropologia Política. São Paulo: Diefel/Edusp.

BEDIN, B. V. 2009. Reflexões sobre as práticas grupais nos Centros de Atenção Psicossocial: uma interface com a clínica lacaniana da psicose. Dissertação. Campinas, SP: Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas.

BICHARA, P. F & PALMIERI, T. C. 2007. “O acompanhamento de Residências Terapêuticas pela equipe de um Hospital-Dia”. In E. Merhy & H. Amaral (orgs.) A Reforma Psiquiátrica no Cotidiano II. São Paulo: Hucitec.

BIEHL, João. 2008. “Antropologia do devir: psicofármacos – abandono social – desejo”. Revista de Antropologia 51(2) BIONDI, K. 2010. Junto e Misturado: uma etnografia do PCC. São Paulo: Terceiro Nome.

BRASIL. 2002. “Portaria do Ministério da Saúde N. 336-02”. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/ pdf/Portaria%20GM%20336-2002.pdf.

CARDOSO, M. 1999. Médicos e clientela: da assistência psiquiátrica à comunidade. São Carlos: UFSCAR.

CARDOSO, M. 2002. “Psiquiatria e Antropologia: notas sobre um debate inconcluso”. ILHA Revista de Antropologia 4(1). https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/15033

CASTEL, R. 1983. “De la dangerosité au risque”. In Actes de la recherche en sciences sociales. 47-48: 119-127.

https://doi.org/10.3406/arss.1983.2192

CASTEL, R. 1987. A gestão dos riscos: da psiquiatria à pós-psicanálise. Rio de Janeiro: Francisco Alves.

CANGUILHEM, G. 1966. O Normal e o Patológico. Rio de Janeiro: Graal.

CHAVES, C. 2003. Festa na Política: uma etnografia da modernidade no sertão (Buritis, MG). Rio de Janeiro: Relume-Dumará.

DELEUZE, G. 2007a. Conversações. São Paulo: Ed. 34.

DELEUZE, G. 2007b. Nietzsche. Lisboa: Edições 70.

DELGADO, P. G. G. et al. 2007. “Reforma Psiquiátrica e política de saúde mental no Brasil”. In M. F. de Mello, A.A.F. de Mello & R. Kohn (orgs.) Epidemiologia da saúde mental no Brasil. Porto Alegre: Ed. Artmed

DIAS, M. K. 2007. Centro de Atenção Psicossocial: do modelo institucional à experiência social da doença. Tese de Doutorado. Campinas, SP: Unicamp.

DUARTE, L. F. D. 1986. Da Vida Nervosa nas Classes Trabalhadoras. Rio de Janeiro: Zahar.

DUARTE, L. F. D. 1994. “A outra saúde: mental, psicossocial, físico-moral?” In P.C. Alves (org.) Saúde e Doença: um olhar antropológico. Rio de Janeiro: Fiocruz.

DUARTE, L. F. D. 2000. “Individuo e pessoa na experiência da doença”. Revista Ciência e Saúde Coletiva 8(1): 173-183. https://doi.org/10.1590/S1413-81232003000100013

FAVRET-SAADA, J. 2005. “Ser afetado, de Jeanne Favret-Saada”. Cadernos de Campo 3: 155-161. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v13i13p155-161

FOUCAULT, M. 1995. “O Sujeito e o Poder”. In H. Dreyfus & P. Rabinow Michel Foucault, uma trajetória filosófica: para além do estruturalismo e da hermenêutica. Rio de Janeiro: Ed. Forense Universitária.

FOUCAULT, M. 2002. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Rio de Janeiro: Ed. Vozes.

FOUCAULT, M. 2003. História da Sexualidade: a vontade de saber. São Paulo: Ed. Graal.

FOUCAULT, M. 2006. O poder psiquiátrico. São Paulo: Martins Fontes.

FOUCAULT, M. 2010. “A tecnologia política dos indivíduos”. In Ditos e Escritos V. Ética, sexualidade, política. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária

GOLDMAN, M. 2006. Como funciona a democracia: uma teoria etnográfica da política. Rio de Janeiro: Ed. 7Letras.

GUATTARI, F. 1985. Revolução Molecular: pulsações políticas do desejo. São Paulo: Ed. Brasiliense.

GUATTARI, F. 2004. Psicanálise e Transversalidade: ensaios de psicanálise institucional. Aparecida: Editora Ideias e Letras.

JULLIEN, F. 2009. O Diálogo entre as culturas: do universal ao multiculturalismo. Rio de Janeiro: Ed. Zahar.

LIENHARDT, G.1958. “The Wertern Dinka”. In J. Midleton & D. Tait, D. Tribes Without Rulers. Studies in African Segmentary Systems. Londres: Routledge and Kegan Paul.

LOUGON, M. 1987. Os Caminhos da mudança. Alienados, alienistas e as desinstitucionalização da Psiquiatria. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: Museu Nacional/UFRJ.

MARQUES, A. C. 2002. Intrigas e questões: vingança de família e tramas sociais no sertão de Pernambuco. Rio de Janeiro: Relume-Dumará.

MARQUES, A. C. 2003. “Política e questão de família”. Revista de Antropologia 45(2): 417-442. https://doi.org/10.1590/S0034-77012002000200005

MENA, Luiz. 2009. Contribuições das ‘Entrevistas do momento atual’ para a psicanálise aplicada à terapêutica. Disponível em: . Acessado em: 5/1/2011.

MONNERAT, S. 2009. Trajetórias, acusações e sociabilidade: uma etnografia em um Centro de Convivência para pacientes psiquiátricos. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: PPGAS-Museu Nacional/UFRJ.

MONNERAT, S. 2010. “Atenção à Saúde Mental: estudo comparativo entre um serviço público e um particular”. In II Encontro Internacional de Ciências Sociais: as Ciências Sociais e os desafios para o século XXI. Pelotas.

MOREIRA, F. A. & GUIMARÃES, F. S. 2007. “Mecanismos de ação dos antipsicóticos: hipóteses dopaminérgicas”. Revista de medicina de Ribeirão Preto 40(1): 63-71. https://doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v40i1p63-71

NATHAN, T. 1995. “Le Médecins et le Charlatan”. In T. Nathan & I. Stenger Médecins et Sorciers. Paris: Les Empêcheurs de Penser en Rond.

NIETZSCHE, F. 2004. Genealogia da Moral. São Paulo: Companhia das Letras.

PALMEIRA, M. 1992. “Voto: racionalidade ou significado?”. Revista Brasileira de Ciências Sociais 7(20): 26-30.

PALMEIRA, M. 1996. “Política, facções e voto”. In M. Palmeira & M. Goldman (orgs.) Antropologia, voto e representação política. Rio de Janeiro: Ed. Contra Capa.

PASSETTI, E. 2003. Anarquismo e sociedade de controle. São Paulo: Ed. Cortez.

PERELBERG, R. J. 1980. As fronteiras do silêncio. Um estudo de desvio e ritualização. Rio de Janeiro: Adrianú.

PIGNARRE, P. 2006. “Avoir besoin que les gens pensent”. Multitudes 23.

PIGNARRE, P. 2008a. “Médicaliser/démédicaliser: développer l'expertise des patients”. Cliniques méditerranéennes 77. Disponível em : http://www.pignarre.com/article.php.

PIGNARRE, P. 2008b. “Os pacientes pouco sedados são mais “incômodos” para a equipe de enfermagem?”. Disponível em: http://www.pignarre.com/article.php.

PIGNARRE, P. 2008c. “O futuro ameaçador da indústria farmacêutica”. Disponível em: http://www.pignarre.com/article.php.

SAFATLER, Vladimir. 2001. “Clínica, estética e reconhecimento: uma entrevista”. Acheronta 14.

SARTORI, L. 2010. O Manejo da Cidadania em um Centro de Atenção Psicossocial. Dissertação de Mestrado. São Carlos: Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos.

SARTORI, L. 2011a. “O Convênio de Cogestão: política, instituição e gestão pública”. R@U: Revista de Antropologia Social dos Alunos do PPGAS-UFSCar 3(1): 385-392. http://www.rau.ufscar.br/wp-content/uploads/2015/05/Vol3no1_17.SARTORI.pdf

SARTORI, L. 2011b. “A relação familiar na gestão estatal de pacientes psiquiátricos ressocializados”. In IX Reunião de Antropologia do Mercosul. Curitiba, PR.

SILVA, M.B.B. 2005. “Atenção Psicossocial e Gestão de Populações: sobre os discursos e as práticas em torno da responsabilidade no campo da saúde mental”. Physis: Revista de Saúde Coletiva 15(1): 127-150.

https://doi.org/10.1590/S0103-73312005000100008

SILVA, M.B.B. 2007. “O Técnico de Referência no Centro de Atenção Psicossocial: uma nova especialidade no campo da saúde mental?”. Revista Vivência 32: 227-223

SILVA, M.B.B. 2009. “O Caso ‘Damião Ximenes’: saúde mental e direitos humanos”. Revista Série Anis IX(67).

SOARES, K. 1998. “Tratamento da Discinesia Tardia induzida por neurolépticos”. Psychiatry on line Brasil. Disponível em: ttp://www.polbr.med.br/ano98/discines.php.

STRATHERN, M. 2011 [1996]. “Cortando a Rede”. Ponto Urbe 5. https://doi.org/10.4000/pontourbe.1970

SWARTZ, M. J.; TURNER; V. W. & TUDEN, A. 1966. Political Anthropology. Chicago: Aldine Publishing Company.

VASCONCELOS, E. M. 2002. Saúde mental e serviço social. O desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade. São Paulo: Ed. Cortez.

VEN NCIO, A.T.A. 1990. Sobre a Nova Psiquiatria no Brasil: Um Estudo de Caso do Hospital-Dia do Instituto de Psiquiatria. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: PPGAS-Museu Nacional/UFRJ

VEYNE, P. 2001. Foucault: Seu Pensamento, sua pessoa. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira.

VILLELA, J.L.M. 2004. O Povo em Armas: Violência e Política no Sertão de Pernambuco. Rio de Janeiro: Relume Dumará.

VILLELA, J.L.M. 2009. “Família Como Grupo? Política como agrupamento?”. Revista de Antropologia 52: 201-246.

VILLELA, J.L.M. 2010a. “Apresentação”. In K. Biondi Junto e Misturado: uma etnografia do PCC. São Paulo: Ed. Terceiro Nome.

VILLELA, J.L.M. 2010b. “Moral da Política e Antropologia das Relações de Poder no Sertão de Pernambuco”. Revista Lua Nova 79: 163-199. https://doi.org/10.1590/S0102-64452010000100008




DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cam.v12i1.24076

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais