Serviço Doméstico: elementos políticos de um campo desprovido de ilusões

Jurema Brites

Resumo


Em um estudo etnográfico acerca do serviço doméstico, estudei elementos, aparentemente paradoxais, que dão sustentabilidade às relações da maior categoria ocupacional feminina no Brasil. Uma das questões que meu trabalho levantou foi o descompasso entre as análises acadêmicas e as perspectivas das empregadas domésticas quanto às relações de trabalho e a perspectiva política decorrente de tais leituras. As empregadas encontravam vantagens no serviço doméstico, inexistentes no mercado de trabalho formal. Estas coincidiam justamente com aqueles fatores que os pesquisadores da condição feminina consideram como as raízes da subordinação que o serviço doméstico acarreta: relações personalistas e clientelistas estruturadas na organização da família patriarcal. Procurando uma perspectiva, onde o ponto de vista das pessoas investigadas exista como plausibilidade lógica, busquei compreender como as relações clientelistas se reproduzem neste campo de forma mais adequada que as promessas aportadas pela democracia cidadã.


Palavras-chave


serviço doméstico

Texto completo:

PDF

Referências


ABREU, Alice et al. 1994. “Desigualdade de Gênero e Raça. O informal no Brasil em 1990”. Estudos Feministas, número especial/2° sem.:153-178.

BAKHTIN, Mikhail. 1987. Cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec.

BANCK, G. e DOIMO A. 1988. Entre a utopia e a estratégia: um estudo de caso de um movimento social urbano. Vitória: Ed. Cultural.

BANCK, Geert. 1998. Dilemas e símbolos. Estudos sobre a cultura política do Espírito Santo. Vitória: IHGES.

BANCK, Geert.1999. “Clientelism and Brazilian political process: production and consumption of a problematic concept”. In Modernization, Leadership and Participation. Theoretical Issues in Development Sociology. Amsterdan: Leiden University Press.

BOURDIEU, Pierre. 1962.”Le Celibataire”. Estudes Rurales 5(6):32-135. https://doi.org/10.3406/rural.1962.1011

BOURDIEU, Pierre. 1983. “Gostos de Classe e Estilos de Vida”. In Renato Ortiz (org.) Bourdieu. Coleção Grandes Cientistas Sociais. São Paulo: Ática.

BOURDIEU, Pierre.1994. “Stratégies de Reproduction et Modes de Domination”. Actes de la Rechercehe en Sciences Sociales 105:3-12. https://doi.org/10.3406/arss.1994.3118

BRANDT, Maria Elisa Almeida. 2000. «O conflito entre empregadores domésticos e a atuação do sindicato: os sentidos da mediação». Texto apresentado no XXIV Encontro Anual da ANPOCS.

BRITES, Jurema. 2000. Afeto, Desigualdade e Rebeldia: bastidores do serviço doméstico. Tese de Doutorado. Porto Alegre: UFRGS/PPGAS.

BRITES, Jurema. 1997. “Cinderela Domesticada. Um estudo sobre saberes femininos que circulam entre empregadas domésticas e seus empregadores”. Porto Alegre: Relatório Final apresentado à FCC, II Programa de Incentivo e Formação em Pesquisa sobre a Mulher.

BRUSCHINI, Crisitina e LOMBARDI, Maria Rosa. 1999. “A bi-polaridade do trabalho feminino no Brasil: o emprego doméstico e as “novas” ocupações”. Trabalho apresentado na ANPOCS.

CALDIERARO, Ernesto. 1997. Como Lidar com sua Empregada Doméstica (o manual do empregador em perguntas e respostas): os direitos dos empregadores e das donas de casa no contrato de trabalho doméstico. Porto Alegre: CINDEBRA.

CARVALHO, José Murilo. 1987. Os Bestializados. O Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo: Companhia das Letras.

COLEN, Shellee. 1995.”Like a mother to them: stratified reproduction and West Indian Childcare workers and employers in New York”. In F. Ginsburg e R. Rapp (orgs.) Conceiving the new world order: the global politics at reproduction. Berkley: University California Press.

COLEN, Shellee. 1993. Solamente un poco de respeto: trabajadoras del hogar antillanas em la ciudad de Nueva York. In Elsa Chaney e Mary Garcia Castro (orgs.) Muchacha / cachifa / criada / empleada/ empregadinha / sirvienta y... más nada: trabajadoras domésticas en América Latina y Caribe. Venezuela: Ed. EPU.

DUARTE, Luiz Fernando Dias. 1986. Da vida nervosa nas classes trabalhadoras urbanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.

DE CERTEAU, Michel. 1994. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes.

DE CERTEAU, Michel. 1993 .”Vicissitudes e limites da conversão à cidadania nas classes populares brasileiras”. Revista Brasileira de Ciências Sociais 22 (jun): 5-19.

FARIAS, Zaíra A. 1983. Domesticidade: “Cativeiro” Feminino? Rio de Janeiro: Achiamé/CMB.

FONSECA, Claudia e BRITES, Jurema. 1990. “Um atalho até Deus: Um estudo de catolicismo popular no Rio Grande do Sul”. Religião e Sociedade n°15 RJ/ ISER: CER.

FOSTER, George. El contrato didático: un modelo para la estructura social de una aldea de campesinos mexicanos. [texto digitado]

GIDDENS, Anthony.1990. As conseqüências da modernidade. São Paulo: UNESP.

GOLDSMITH, Mary. 1993. Políticas y Programas de las Organizaciones de Trabajadoras Domésticas en México. In Elsa Chaney e Mary Garcia Castro (orgs.) Muchacha / cachifa / criada / empleada/ empregadinha / sirvienta y... más nada: trabajadoras domésticas en América Latina y Caribe. Venezuela: Ed. EPU.

LANDE, Carl. 1977. «Introduction. The dyadic basis of clientelism». In Schmidt & Steffen (orgs.) Friends, followers and factions: a reader. Berkeley: University of California Press.

LANNA, Marcos P. D. 1995. A Dívida Divina: troca e patronagem no nordeste brasileiro. Campinas: Editora da Unicamp.

LEEDS, Anthony & Leeds Elisabeth. 1977. A Sociologia do Brasil Urbano. Rio de Janeiro: Zahar.

LEÓN, Magdalena. 1993. “Trabajo Doméstico y Servicio Doméstico en Colombia”. In Elsa Chaney e Mary Garcia Castro (orgs.) Muchacha / cachifa / criada / empleada/ empregadinha / sirvienta y... más nada: trabajadoras domésticas en América Latina y Caribe. Venezuela: Ed. EPU.

MAUSS, Marcel. 1974. Ensaio sobre a Dádiva: força e razão da troca nas sociedades arcaicas». In Sociologia e Antropologia. São Paulo: EPU/EDUSP.

MOTTA, Alda Brito da. 1977. Visão de mundo da empregada doméstica – um estudo de caso. Salvador: UFBA/Curso de Pós-Graduação em Ciências Humanas.

NOVAES, Regina. 1985. Os Escolhidos de Deus. Pentecostais, trabalhadores e cidadania. Rio de Janeiro: Editora Marco Zero.

NUNES LEAL, Victor. 1975. Coronelismo, enxada e voto. São Paulo: Alfa-Omega.

SAHLINS, Marshall. 1988. Cosmologias do Capitalismo: o Setor Trans-Pacífico do “Sistema Mundial”. Conferência apresentada na XVI Reunião Brasileira de Antropologia. Campinas, 27 - 30 de março.

SARTI, Cynthia. 1989. “Reciprocidade e Hierarquia: relações de gênero na periferia de São Paulo”. Cadernos de Pesquisa 70: 38-46.

SARTI, Cynthia. 1996. A Família como Espelho. Um estudo sobre a moral dos pobres. Campinas: Autores Associados.

SARTI, Cynthia. 1988. Mulher e família urbana: comentários sobre a bibliografia. Águas de São Pedro: XXII Encontro Anual da ANPOCS.

SCOTT, James. 1985. Weapons of the Near. Everyday forms of peasant resistance. Newttavem: Yale University Press.

SCOTT, James.1990. Domination and the arts of resistence: hidden transcripts. New Haven: Yale University Press.

SEGATO, Rita Laura. 1995. “Cidadania: Por que não? Estado e sociedade no Brasil à luz de um discurso religioso afrobrasleiro”. Dados - Revista de Ciências Sociais 38(3): 581-601.

THOMPSON, E. P. 1979. Tradicion, revuelta y consciencia de clase. Barcelona: Grijalbo.

THOMPSON, E. P. 1987. Senhores e caçadores: a origem da lei negra. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

THOMPSON, E. P. 1998. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Companhia das Letras.

VELHO, Otávio. 1995. Besta-Fera. Recriação do mundo. Rio de Janeiro: Relume-Dumará.




DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cam.v3i0.1588

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM