Índios Missionários: Cultos Protestantes Entre os Xicrin do Bacajá

Clarice Cohn

Resumo



Embora jamais tenham tido uma missão atuando em sua área, os Xikrin do Bacajá têm realizado
cultos protestantes desde 1998. Essa situação, de uma prática missionária que não conta com a
participação direta de pessoas estrangeiras ao grupo, as quais se limitam à formação de jovens
pastores, oferece uma oportunidade privilegiada para refletir sobre seu estabelecimento e a adesão
de um grupo indígena a ela. Realizando uma etnografia dos cultos, o artigo aborda sua
temporalidade, espacialidade e os papéis sociais neles envolvidos, e conclui com uma reflexão
sobre o modo e as razões pelas quais o grupo adere aos cultos e, talvez em menor grau, ao ethos
crente. Para isso, retoma as noções xikrin sobre a morte, estabelecendo um paralelo entre a vida
após a morte do modo como os Xikrin a concebe e sua leitura do que é prometido pelo
protestantismo.


Abstract


Although they have never had a mission actuating in their area, the Xikrin from Bacajá have performed
protestant cults since 1998. This missionary practice that does not have direct participation
of people foreign to the group, which limits itself to the formation of young ministers. This is a
situation which offers a privileged opportunity for a reflection on the establishment of a missionary
practice and the adherence of an indigenous group. Offering an ethnography of the cults, the
article focuses on their space and time organization and the social roles involved, concluding with
a reflection on the ways and reasons for which the group adheres to the cults and, maybe to a
lesser degree, to the crente ethos. In order to do that, it considers Xikrin notions of death,
establishing a parallel between life after death according to Xikrin conceptions and their understanding
of that which is promised by Protestantism.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/cam.v1i0.1566

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