Detecção automática de fake news em Tweets em períodos eleitorais
DOI:
https://doi.org/10.5380/atoz.v14.95677Palavras-chave:
Fake News, Tweets, Eleições, Detecção de notícias falsas, Inteligência artificial, Redes neurais convolucionaisResumo
Introdução: O fenômeno da desinformação consiste na propagação de informações não verídicas e falsificadas com o objetivo de obter ganhos financeiros, manipular a opinião pública, enfraquecer um campo político, alterar as relações de poder, fortalecer grupos de ódio ou alimentar preconceitos por meio de representações deliberadamente distorcidas. Com o advento das mídias sociais, percebe-se o aumento do consumo de notícias online além de alterações no comportamento informacional que levaram a um aumento no acesso e compartilhamento de fake news. Tais notícias frequentemente são concebidas para se parecerem com notícias verdadeiras e são criadas e disseminadas muito rapidamente. Método: Neste trabalho propomos uma metodologia para detecção de notícias falsas usando redes neurais profundas, com uma amostra de mais de 2 milhões de tweets de um conjunto de dados próprio, coletado com a API do Twitter durante as eleições presidenciais brasileiras no pleito de 2022. Os tweets foram rotulados automaticamente por um modelo de supervisão fraca. Resultados: Os resultados obtidos com o modelo foram F1-score de 98% em tweets de notícias não falsas e F1-score de 47% em tweets contendo notícias falsas. A área sob a curva ROC foi de 0.848, considerado um valor que mostra potencial. Conclusão: São promissores os resultados de modelos de redes neurais artificiais para agilizar o tão necessário trabalho de verificação de veracidade de notícias, especialmente em pleitos eleitorais, que exigem rápida detecção de fake news. Contudo, ainda é um desafio trabalhar com grandes volumes de dados não rotulados, como aqueles utilizados nesta pesquisa. Os principais tópicos de fake news encontrados estavam relacionados a valores morais e religiosos, pautas econômicas, idoneidade de instituições, endosso de figuras públicas, associação de adversários e partidos ao crime e negacionismo científico.
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