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ESTUDO DOS NÍVEIS SÉRICOS DE PROGESTERONA E ESTRADIOL E DA ESTRUTURA DO TRATO GENITAL FEMININO DE QUEIXADA [Taiassu pecari (Link., 1795)]

Paulo Rogério MANGINI

Resumo


A crescente preocupação com a diversidade biológica e a conservação das espécies animais nativas expande um enorme campo de pesquisa direcionado à solução dos problemas decorrentes do crescimento da população humana. O presente estudo avalia características morfológicas e histológicas dos ovários, tubas uterinas, útero, cérvice e vagina, além da concentração sérica de progesterona e estradiol de 15 fêmeas de queixada (Tayassu pecari), nascidas em criatório comercial, instalado na região de Quedas do Iguaçu - PR, BRASIL (52º 54 W; 25º 26 S). Esta área se caracteriza pela transição entre Floresta Ombrófila Mista e Floresta Estacional Semidecidual. Todos os indivíduos foram abatidos e avaliados quanto a massa corporal, massa do aparelho reprodutor, comprimento e diâmetro ovariano, uterino, da cérvice, vagina e diâmetro das tubas uterinas. As amostras de sangue foram colhidas imediatamente antes do abate, sendo avaliadas as concentrações de progesterona e estradional, através de radioimunoensaio (RIE) de fase sólida. Os aparelhos reprodutores foram colhidos após o abate e avaliados histológica e macroscópicamente. As amostras colhidadas foram classificadas, conforme as caracteristicas histológicas, nas categorias de gestante (n = 1), folicular estral (n = 1), luteal inicial (n = 2) e luteal medial (n = 11). A massa corporal média dos animais em estudo foi de 26,23 ± 3,62 kg. A massa dos aparelhos reprodutores foi de 77,65 ± 23,47 kg. Os ovários direitos apresentaram comprimento craniocaldal 14,32 ± 2,15 mm, dorsoventral 13,68 ± 2,18 mm e laterolateral 9,68 ± 1,60 mm. Os ovários esquerdos apresentaram comprimento craniocaudal 12,81 ± 1,45 mm, dorsoventral 11,58 ± 1,88 mm e laterolateral 8,58 ± 1,16 mm. O comprimento da cérvice foi de 30,89 ± 12,34 mm, o diâmetro externo foi de 18,62 ± 4,16 mm. O comprimento vaginal foi de 144,00 ± 26,67 mm, o diâmetro externo foi de 26,23 ± 4,30 mm. O comprimento e diâmetro uterinos variaram, significativamente conforme as categorias, entre 10 e 34 cm de comprimento e 5,4 e 35 cm de diâmetro na porção média do corno uterino. Os valores hormonais séricos foram significativamente diferentes entre as categorias, variando entre 131,26 e 31,06 pg/ml para concentração de estradiol e 1,00 e 17,21 ng/ml para progesterona. Os diâmetros foliculares e dos corpos lúteos, na superfície dos ovários, não se apresentaram como formas eficientes de avaliação da fase do ciclo estral. As concentrações hormonais observadas foram compatíveis com os achados histológicos, comprovando a eficiência do método de análise hormonal e da avaliação histológica do aparelho reprodutor como formas de determinação da capacidade reprodutiva e da fase do ciclo estral de Tayassu pecari. Comprovou-se, ainda, a precocidade da espécie em cativeiro, reprodutivamente ativa a partir dos oito meses de idade.


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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rsa.v1i1.995