Fósseis Marinhos do Quaternário do Rio Grande do Sul: Vertebrados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5380/qeg.v18i1.103462

Palavras-chave:

PCRS, Vertebrados Marinhos, Pleistoceno, Holoceno

Resumo

O registro fóssil de vertebrados marinhos na América Latina evoluiu de descrições taxonômicas preliminares no século XIX para análises paleobiológicas e geoquímicas complexas na atualidade. No Brasil, o Rio Grande do Sul destaca-se pela preservação de fósseis do Cenozoico, influenciada pelas oscilações do nível do mar e pela dinâmica do Atlântico Sul. Este trabalho apresenta a diversidade do acervo do Laboratório de Geologia e Paleontologia da Universidade Federal do Rio Grande, detalhando os grupos taxonômicos coletados na Planície Costeira do Rio Grande do Sul ao longo de 40 anos de expedições. Foi realizada uma análise quantitativa e qualitativa de 7.124 fósseis depositados nos livros tombo do LGP, categorizados nos grupos Teleostei, Chondrichthyes, Testudines, Pinípedes e Cetacea. O material é proveniente de coletas ex situ na linha de praia atual, originado de paleolinhas submersas do Quaternário. Os grupos Chondrichthyes (tubarões e raias) e Teleostei (peixes ósseos) dominam o acervo, representando 94,57% do total. A abundância de Chondrichthyes é notável, embora influenciada pela natureza polifiodonte (reposição contínua de dentes) desses animais. Os Cetáceos apresentam-se majoritariamente fragmentados devido ao ambiente de alta energia, mas elementos densos como bulas timpânicas permitiram identificar Odontoceti e Mysticeti. Os Pinípedes, embora raros, incluem registros de Otaria flavescens e Arctocephalus australis. O grupo Testudines, composto por fragmentos de carapaça e osteodermas, permanece como um dos menos explorados quanto às implicações paleoclimáticas. O esforço contínuo de curadoria e coleta desde 1996 é fundamental para a preservação do patrimônio paleontológico gaúcho. Apesar do desgaste mecânico imposto pela dinâmica costeira, o acervo constitui um banco de dados científico robusto para entender as respostas bióticas às variações ambientais do Quaternário Tardio.

Biografia do Autor

Sheron Medeiros, Universidade Federal do Rio Grande

Laboratório de Geologia e Paleontologia, Programa de Pós-Graduação em Oceanologia, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Avenida Itália Km 8, Rio Grande, 96201-900, Rio Grande do Sul, Brasil

Maria Alice Rosa Nascimento, Laboratório de Geologia e Paleontologia, Instituto de Oceanografia,Universidade Federal do Rio Grande

Aluna de Iniciação Científica do Laboratório de Geologia e Paleontologia, graduanda em Oceanografia.

Gabriel Trindade, Laboratório de Geologia e Paleontologia, Instituto de Oceanografia, ,Universidade Federal do Rio Grande

Aluno de Iniciação Cientifica do Laboratório de Geologia e Paleontologia, graduando em Oceanografia.

Paula Dentzien-Dias, Laboratório de Paleontologia de Vertebrados

Laboratório de Paleontologia de Vertebrados, Departamento de Paleontologia e Estratigrafia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Campus Vale, Porto Alegre, Brasil 

Silvia Regina Bottezini , Laboratório de Geologia e Paleontologia, Programa de Pós-Graduação em Oceanologia, Instituto de Oceanografia,Universidade Federal do Rio Grande

Graduada em Ciências Biológicas, Mestre em Geociências- área de concentração: Micropaleontologia- pela UFRGS e Doutora em Oceanografia Física, Química e Geológica pela FURG. Atualmente professora na Universidade Federal do Rio Grande, responsável pelo Laboratório de Geologia e Paleontologia,  Universidade Federal do Rio Grande (FURG).

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Publicado

2026-09-19

Como Citar

Medeiros, S., Rosa Nascimento, M. A., Trindade, G., Dentzien-Dias, P., & Bottezini , S. R. (2026). Fósseis Marinhos do Quaternário do Rio Grande do Sul: Vertebrados. Quaternary and Environmental Geosciences, 18(1). https://doi.org/10.5380/qeg.v18i1.103462

Edição

Seção

Para entender o Quaternário do Brasil