Memória, Tradição e Turismo: depoimentos dos anciões da Puxada do Mastro de Olivença, Ilhéus, BA
DOI:
https://doi.org/10.5380/ts.v18i2.101829Palavras-chave:
tradição, memória, patrimônio, turismo, identidadeResumo
Este artigo tem por objetivo analisar as relações entre memória, tradição e turismo a partir dos depoimentos de anciões da comunidade de Olivença (Ilhéus, BA), no contexto da celebração da Puxada do Mastro de São Sebastião. Trata-se de uma manifestação cultural de elevado valor simbólico, espiritual e identitário para os povos Tupinambás da região, que articula elementos religiosos, profanos e culturais e integra o calendário turístico local. O estudo, vinculado ao projeto de extensão “Anciões da Puxada de Mastro de São Sebastião”, adota abordagem qualitativa e história oral temática. Foram entrevistados moradores indicados pela Associação dos Machadeiros de Olivença (AMAO) e diretamente relacionados à celebração. Os depoimentos foram transcritos e transcriados, resultando em um catálogo cultural com valor documental e pedagógico. O referencial teórico ancora-se em autores como Candau (2011), Delgado (2017), Meneses (1999) e Halbwachs (2004), articulando conceitos de memória, tradição, identidade e patrimônio. Os resultados evidenciam que a continuidade da tradição é assegurada por meio da oralidade, da transmissão intergeracional e da vivência comunitária, sendo os anciões reconhecidos como guardiões de saberes e práticas culturais. Canções, símbolos e relatos revelam a Puxada do Mastro como espaço de construção e reafirmação identitária. A presença do turismo é percebida como positiva quando respeita o caráter espiritual da celebração, embora suscite desafios relacionados à preservação de sua autenticidade. Conclui-se que a Puxada do Mastro de São Sebastião constitui importante dispositivo de articulação entre memória, fé e resistência, reafirmando a memória coletiva como fundamento das manifestações culturais e da identidade comunitária.
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