USOS, SIGNIFICADOS E CONSERVAÇÃO DA PLANTA ESPADA DE SÃO JORGE, SANSEVIERIA ZEYLANICA, NA COMUNIDADE QUILOMBOLA BENEVIDES/PA.

Adão Souza Borges

Resumo


Neste artigo fazemos considerações sobre a relação da biodiversidade com os sujeitos amazônicos que protagonizam e resistem em prol do uso coletivo dos recursos naturais, quando a linguagem  e os significados se enquadram em elementos de resistência, porque  transitam no campo do sagrado.  Desta forma, buscamos compreender os usos, os significados e as formas de conservação da planta espada de São Jorge, Sansevieria zeylanca, pelos quilombolas da comunidade Benevides, em Aurora do Pará. O trabalho debruçou-se acerca de narrativas de quilombolas que utilizam a planta e sabem narrar sobre ela. Essas narrativas seguiram o exercício hermenêutico do filósofo francês Paul Ricouer, o qual discutiu em  sua obra A simbólica do Mal,  as  dimensões  que   o símbolo nos  remete: a linguagem, a imaginação poética e a compreensão de existência hermenêutica, o cogito,  que neste  texto  nos faz pensar numa cosmologia  quilombola.


Palavras-chave


Biodiversidade; Espada de São Jorge; Hermenêutica ricoueriana; Quilombolas; Símbolo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5380/rt.v9i2.73877